MISSÃO:

Profissional especializado em Atividade Física, Exercício Corporal, Saúde, Bem Estar, Longevidade Saudável e Qualidade de Vida. Sérgio Nunes e sua empresa QualiFis, pretendem desenvolver junto aos seus alunos e clientes a ideia da verdadeira Saúde, que obviamente não é apenas a ausência de doença, mas também o Encantamento com a Vida, dotando-os de um entendimento adequado de se Priorizar, de compreender que vale a pena Investir no seu Potencial de Ser, através do investimento na melhoria da Qualidade de Vida, aprimorando a saúde e usando como meio, a Atividade Física, em suas mais diferentes possibilidades.

“As informações, dicas e sugestões contidas nesse blog têm caráter meramente informativo, e não substituem o aconselhamento individual e o acompanhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física.”

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

TREINANDO NA TEIA NEUROMIOFASCIAL - (Parte 2)

Por Thomas Myers
ADVERTÊNCIA: Só para quem gosta de ler ² Rsrsrsrsrsrs...


Treinando a Teia Neuromiofascial -
Se a fáscia é um singular espaço de organização ajustável (regulando a tensegridade, ou seja, as forças de tensão e compressão que atuam no corpo) que atravessa o corpo todo e regula, localmente e globalmente, a biomecânica de tensão e compressão, podemos nos perguntar:
Como treinamos este sistema, em conjunção com o trabalho dos músculos e o controle neural, para prevenir e reparar lesões e construir resiliência no sistema?
A resposta à esta questão ainda está se desenvolvendo, rapidamente, nos laboratórios e nos espaços de treinamento. Algumas pesquisas estão confirmando imagens e práticas, como elas se desenvolveram e são tradicionalmente aplicadas. Aqui nos focamos em um pequeno conjunto de achados que irão (ou logo irão) mudar nossas ideias a respeito de como a rede neuromiofascial realmente trabalha e qual o papel do tecido conectivo no desenvolvimento do condicionamento físico para a vida.
Achado #1: Treinamento específico pode aumentar a elasticidade fascial, essencial para a resiliência sistêmica.
A elasticidade fascial não era reconhecida para estudos aprofundados até recentemente, e os mecanismos envolvidos ainda estão sendo analisados (Chino et al. 2008). Apesar disso, aplicações ao treinamento já são evidentes. A notícia básica é que os tecidos conectivos – mesmo tecidos densos como tendões e aponeuroses – são muito mais significativamente elásticos do que se pensava anteriormente. A segunda parte essencial desta notícia é que a elasticidade fascial é armazenada e retorna rapidamente. Em outras palavras é muito mais como uma superbola do que uma medicinebol feita de areia (Superbola, são aquelas bolas que quicam MUITO, encontradas em tudo quanto é camelô por aí. Enquanto que uma medicinebol recheada com areia quica muito pouco).
Portanto, elasticidade fascial é um fator a ser considerado somente quando o papel é cíclico e repetido rapidamente, como na corrida, caminhada ou uma série de saltos -bouncing- (Bouncing, em inglês, cuja tradução livre aproximada seria “quicar”. Uma série de saltos com o mínimo tempo de contato com o solo possível), mas não numa pedalada, em que o ciclo repetitivo é muito lento para tirar vantagem destas propriedades elásticas.
Estudos de medidas do alongamento da panturrilha durante a corrida têm mostrado que muito do comprimento requerido para dorsiflexão está vindo de um alongamento estático da fáscia, enquanto o músculo está contraindo isometricamente (Kubo et al. 2006). Isto contradiz nosso prévio entendimento de que o tendão não era elástico e que os músculos é que estavam alongando e encurtando durante esses movimentos cíclicos, antes e após o pé tocar o solo.
Os corredores que treinam esse componente e empregam mais desta elasticidade estarão usando menos potência muscular (leia-se menos glicose = menor gasto de energia) durante suas corridas, já que eles estão armazenando energia no alongamento e em seguida liberando esta energia. IMPORTANTE: Portanto, eles serão capazes de correr por mais tempo com menos fadiga.
Construir esta elasticidade é questão de colocar uma demanda nos tecidos para desempenharem desta forma. Fazer isto lentamente (comparado com o treinamento muscular) é um atributo definitivo do treino da fáscia (pode levar de 6-24 meses para construir elasticidade fascial).
1) O que está dentro:
a) Saltos (quicando... Bouncing em inglês): Quando se aterrissa na parte anterior do pé, desaceleramos e aceleramos de modo que não somente fazemos uso da elasticidade, mas também a construímos, nos tendões e na rede fascial inteira.
b) O melhor efeito de treinamento parece seguir o princípio do prazer: sentir aquele senso de elegância, uma ressonância ideal com mínimo esforço e máxima facilidade.
Contramovimento preparatório: Se preparar para o movimento ao fazer um contramovimento.
Por exemplo: Flexionar antes de estender para ficar em pé, mover o kettllebell para trás antes de impulsioná-lo para frente e para cima (em um kettlebell swing). São maneiras de se fazer o máximo uso do poder da elasticidade fascial para ajudar a tornar o movimento fluido e eficiente.
2) O que está fora:
a) Movimentos e mudanças bruscas de direção: Imagine pular corda e aterrissar somente sobre os calcanhares. O estresse em todos os sistemas seria enorme e você não iria construir elasticidade no seu sistema fascial.
b) Grande demanda muscular na arrancada dos movimentos: Usar o recuo elástico fascial diminui a demanda por um enorme esforço muscular durante o início dos movimentos, tornando-os mais confortáveis, menos árduos e com menor consumo energético.

Achado #2: O sistema fascial responde melhor à variação do que a um programa repetitivo.
A evidencia sugere que o sistema é melhor treinado por uma larga variedade de vetores – em ângulo, tempo e carga (Huijing 2007). Isolar músculos sobre um eixo (Ex.: Em uma máquina de musculação) pode ser útil para estes músculos, mas não para todos os tecidos ao redor. Colocar sobrecarga no tecido sempre da mesma maneira significa que ele estará despreparado quando a vida, que raramente é repetitiva, impuser uma sobrecarga a qual ele não está preparado.
1) O que está dentro:
a) Movimentos globais: Engajar longas cadeias miofasciais e movimentos com o corpo todo é a melhor maneira de treinar o sistema fascial.
Iniciação Proximal: É melhor iniciar movimentos com um pré-alongamento dinâmico (extensão distal), mas acompanhado de uma iniciação proximal na direção desejada, deixando as partes mais distais do corpo seguir em sequência. Como um pêndulo elástico (Em resumo, como o movimento do swing com kettlebell).
Movimento Adaptativo: Movimentos complexos requerem adaptação, como o parkour e são superiores à programas repetitivos de exercício.
2) O que está fora:
a) Movimentos repetitivos: Máquinas que fazem com que os clientes trabalhem sempre na mesma orientação espacial não constroem muito bem a resiliência da fáscia.
b) Treinar sempre com cargas de nível superior: Cargas variáveis constroem diferentes aspectos da fáscia. Usar sempre cargas perto do limite irá fortalecer alguns ligamentos, mas enfraquecer outros. A variação de cargas é a melhor maneira.
c) Sempre treinar com o mesmo Tempo: Da mesma forma, variar o tempo permite construir resiliência e força em diferentes estruturas fasciais.
(“Tempo” nesse caso, pode ser entendido como cadência do exercício, geralmente vem expresso em 3 números. Ex: Tempo – 2-0-1. O primeiro número é a fase excêntrica, o segundo a isométrica e o terceiro a fase concêntrica. No exemplo de 2-0-1: 2 segundos -excêntrica- /0 segundos -isométrica- /1 segundo -concêntrica).

Achado #3: O sistema fascial é muito mais inervado que o muscular, então propriocepção e cinestesia são primariamente fasciais, não musculares.
Este é um conceito difícil para muitos profissionais do fitness aceitarem, mas é um fato: Existem 10 vezes mais receptores sensoriais nos tecidos fasciais do que nos músculos (Stillwell, 1957). Os músculos têm fusos que medem a mudança no seu comprimento (e com o tempo, a taxa de mudança do comprimento). Até estes fusos podem ser vistos como receptores da fáscia, mas sejamos gentis e os deixemos para os músculos (Van der Wal, 2009). Para cada fuso, existem cerca de 10 receptores na fáscia ao redor – na superfície do epimísio, no tendão e fáscia associada, nos ligamentos próximos e nas camadas superficiais. Estes receptores incluem, o Órgão Tendinoso de Golgi que mede a tensão (através do alongamento das fibras), Terminações de Pacini que medem pressão, Terminações de Ruffini que informam ao sistema nervoso central a respeito das forças de cisalhamento nos tecidos moles e as pequenas e onipresentes Terminações Nervosas Intersticiais que podem reportar todas essas sensações e, aparentemente, dor (Stecco et al. 2009; Taguchi et al. 2009).
Então, quando você diz que está sentindo seus músculos moverem, é um pouco inadequado. Você está “escutando” os tecidos fasciais muito mais do que os músculos. Aqui estão 3 achados interessantes que vão junto com esta revelação básica:

  • Ligamentos são principalmente arranjados em série com os músculos, não em paralelo (Van de Wal, 2009). Isso significa que quando se coloca tensão em um músculo, os ligamentos são automaticamente tensionados para estabilizar a articulação, não importando qual sua posição. Nossa ideia de que os ligamentos não funcionam até que a articulação esteja em completa extensão ou torção está fora de moda. Ex: Os ligamentos funcionam em toda a amplitude de uma rosca bíceps, não apenas na amplitude final do exercício.
  • Terminações nervosas se organizam sozinhas de acordo com as forças que são comumente aplicadas em determinado local de um determinado indivíduo, não de acordo com um plano genético, e definitivamente não de acordo com uma divisão anatômica que chamamos de músculo. Não existe uma representação do músculo “deltoide” dentro do cérebro. Esse é apenas um conceito dentro do córtex cerebral, não em sua organização biológica.
  • Aparentemente, sensores na pele ou próximos dela são mais ativos em detectar e regular movimento do que os receptores nos ligamentos articulares (Yahia, Pigeon & DesRosiers 1993).
1) O que está dentro:
a) Estímulos na pele e no tecido superficial para estimular a propriocepção: Friccionar ou mover a pele e os tecidos superficiais é importante para melhorar a propriocepção fascial. Alguns levantadores de peso olímpico estão tendo bons resultados esfregando-se com uma escova vegetal antes de competições.
b) Direcionar clientes a sentirem seus tecidos fasciais: Tirar a atenção, sua e de seus clientes, dos músculos e colocá-la nos tecidos ao redor pode ajudar a prevenir lesões e tornar a percepção sinestésica mais precisa. Sentir a atividade corporal em conjunto com um alto nível de acuidade cinestésica (Pense no gato) pode ajudar a prevenir lesões de maneira mais efetiva do que ser durão.

2) O que está fora:
a) Orientação muscular isolada: Exercitar um único músculo ou grupo muscular é quase impossível. Cada exercício está estimulando múltiplos nervos, envolvendo múltiplos músculos e empregando tecidos fasciais ao redor do local do esforço.
b) Ênfase em receptores articulares: Dado que ligamentos frequentemente são tensionados pelos músculos, a ênfase em receptores articulares, embora importante, precisa ser substituída por uma atenção mais geral, a partir da pele.

A discussão têm se focado nos fatores biomecânicos, omitindo fatores de humor ou nutricionais, assim como as diferentes constituições da fáscia, que recentemente têm sido estudadas. Um entendimento mais profundo do papel da fáscia no treinamento, muda sua perspectiva, seu trabalho, suas palavras e seu efeito. Fáscia não é apenas um embrulho.

Isolamento Muscular x Integração da Fáscia
A maioria dos profissionais do fitness têm estudado a função muscular isolada. Essencialmente, a anatomia cinesiológica ocidental pergunta: Qual seria a ação muscular do bíceps braquial se este fosse o único músculo do esqueleto?
Por si só, o bíceps é um supinador da radioulnar, flexor do cotovelo e faz algum tipo de flexão diagonal fraca do ombro. Quando temos isto decorado, pensamos que sabemos tudo que faz o bíceps. Bem, esta é apenas uma forma de vermos a questão. Porém, não nos esqueçamos que o bíceps não trabalha de forma isolada. Isolar músculos para estudar sua função é o verdadeiro oposto de integração. Qual a diferença prática?
Estudar apenas o músculo deixa de fora 4 fatores essenciais da fáscia na função muscular diária:
1. O Efeito dos (e nos) Músculos Vizinhos, Mediais e Laterais:
O bíceps tem conexões fasciais de transmissão de força com o coracobraquial, o braquial, o supinador e até mesmo através do septo intermuscular do tríceps. Estas conexões fasciais afetam o funcionamento do bíceps e do braço (Huijing, 2007).
2. O Efeito dos (e nos) Músculos que estão Conectados Proximal e Distalmente.O bíceps tem conexões distalmente com a membrana interóssea e a fáscia ao redor do rádio, assim como a aponeurose bicipital nos flexores. Proximalmente ele tem conexões com o peitoral menor (através de sua porção curta) e com supraespinal (através de suas porção longa) e curta (Myers, 2001, 2009).
3. O Efeito que tem a Contração Muscular nos Ligamentos Locais.
A contração do bíceps exerce uma influência de estabilização nos ligamentos do ombro e do cotovelo. Nossa suposição de que os ligamentos têm um arranjo em paralelo com os músculos é incorreta. A maior parte dos ligamentos estão dinamicamente arranjados em série com os músculos, para que a contração muscular ajude os ligamentos a estabilizarem a articulação em todos os ângulos (Van der Wal, 2009).
4. O Fato de que cada Músculo tem de ser Suprido por Nervos e Vasos Sanguíneos.
Estes “fios e tubos” chegam envoltos em um revestimento de fáscia. Se o revestimento está torcido ou restrito, ou torna-se muito curto devido a má postura, a função muscular é afetada (Shacklock, 2005).
Os Trilhos Anatômicos mapeiam nossas conexões fasciais, que ligam músculos individuais, como o bíceps comentado acima, em conexões funcionais. 
Uma vez que você entenda o sistema fascial como um todo, ao invés de uma série de partes, o corpo se apresenta como uma versão animada de tensegridade (“tensão-integridade”) (Fuller, 1975). Os suportes, como os ossos, empurrando para fora, e a rede fascial, atuando como cordas, puxando para dentro.
A coisa toda atinge um equilíbrio o qual chamamos “forma”. Atualmente é evidente que nossos corpos trabalham desta maneira, celularmente, assim como em um macro nível (Ingber, 2008). Claro, nossa tensegridade humana é animada pelo sistema nervoso central e é muito ajustável através dos músculos, mas vale a pena explorar as propriedades destas estruturas de nossos corpos.
RESUMO -
Este artigo desvenda oito pontos chaves a respeito de fáscia:

1. Miofascia é uma matriz 3D -
Fáscia forma um arcabouço, uma matriz tridimensional contínua de apoio estrutural em torno de nossos órgãos, músculos, articulações, ossos e fibras nervosas. Este, arranjo fascial multidimensional multidirecional também nos permite mover-se em múltiplas direções (Myers 2001; Huijing 2003; Stecco 2009).

2. A fáscia é um transmissor de Força -
Você já assistiu a atletas de parkour saltar para baixo de um prédio de três andares, trocar de rápido para suave em uma corrida? Como as articulações não explodem com o impacto da queda?

A resposta é que a força interna (de músculo) e força externa (gravidade e reação do solo) são transmitidas e dispersas dentro do corpo essencialmente através da rede fascial (desde que a força não seja tão grande). Fáscia ajuda a evitar ou minimizar o estresse localizada em um determinado músculo, articulação ou osso, e isso ajuda a dureza dinâmica criada a partir das forças operacionais, principalmente por meio de suas propriedades viscoelásticas. Isto protege a integridade do corpo ao mesmo tempo minimizando a quantidade de combustível utilizado durante o movimento.

As linhas miofasciais representadas em Trilhos Anatômicos nos dão uma imagem mais clara de como a fáscia atenua o stress e força através do corpo, dependendo da direção e aplicação de força (Myers 2001; Huijing 2003; Sandercock & Maas 2009).




3. Repetição é bom e ruim -
A lei de Davis afirma que tecidos moles, uma forma de fáscia, vão remodelar-se (se tornando mais duro e mais denso) ao longo das linhas de estresse (Clark, Lucett & Corn 2008). Isso pode ter benefícios de curto prazo e consequências a longo prazo. Quando se praticar um movimento repetitivo, o tecido mole vai remodelar-se na direção do movimento desejado para que o tecido fique mais forte para lidar com as forças em uma direção particular. Repetição de longo prazo pode fazer fáscia ficar rígida ao longo da linha de tensão, mas mais fraca noutras direções, resultando numa possível maior frequência de "tears" (rupturas) na própria fáscia ou imobilidade nas articulações vizinhas quando se deslocam em sentidos diferentes. O mesmo pode ser dito de movimento estático, como sentado ou em pé, por longos períodos através de dias, meses e anos.

4. A fáscia pode se curar e hipertrofiar -
Um estudo realizado em 1995 demonstra que a tensão mecânica (exercício) pode induzir a hipertrofia de um ligamento, uma forma de fáscia (Fukuyama et al., 1995). Novos estudos demonstram a capacidade do sistema fascial para curar a si mesmo depois de ser lesionado. Alguns estudos encontraram algumas pessoas com Ligamento Cruzado Anterior (LCA) em "tears" e que foram capazes de retornar à função completa sem cirurgia (al. Matias et 2011). À medida que aprendemos mais, poderemos ver novos tipos de técnicas de recuperação, bem como alterações no que acreditamos ser a forma ideal para  aplicação de alguns exercícios ou gestos motores.

5. A fáscia pode contrair -
Os miofibroblastos, que permitem por eles ocorrer suaves contrações "pseudomusculares", têm sido encontrados na fáscia (Schleip et al., 2005). Numerosos mecanorreceptores (órgãos tendinosos de Golgi, terminações de Ruffini, terminações Paciniformes) também foram identificados dentro da matriz fascial; estes podem estar a contribuir para as suaves contrações das fáscias ("pseudomusculares") e que comunica com o sistema nervoso central em relação à quantidade de forças de corte no interior do tecido conjuntivo (Myers 2011). Teoriza-se que as contrações miofasciais ajudam na estabilização e gasto energético. Contudo, mais pesquisas serão necessárias para entender como fáscia e músculo contraem em conjunto com o outro, como essas contrações afetam o movimento global e o que eles significam para os profissionais de fitness.

6. A fáscia pode agir independentemente do Sistema Nervoso Central -
Fáscia está sempre sob tensão, desde que a gravidade esteja presente. Esta pré-tensão passiva tem sido chamado de tônus miofascial de repouso. Myers discute o uso do princípio de Tensegridade (Alfonse et al 2010;. Myers 2001). O Tônus miofascial de repouso fornece um componente de baixo nível de estabilização que ajuda na nossa postura e nos permite realizar movimentos como entrar e sair de um carro sem pensar sobre elas.

Por ter 10 vezes mais proprioceptores que o tecido muscular (Myers 2011), a matriz fascial nos ajuda a reagir ao nosso ambiente mais rápido do que a mente consciente pode responder, se estamos inesperadamente pisando fora do pedal do freio, reagindo a um jogador adversário em um esporte ou no reflexo de retirada da mão de um fogão quente.

Esta pré-tensão pode também dar-nos a capacidade de manter a postura com menos fadiga e tensão fascial, em comparação com a ativação muscular constante e gasto energético. 

7. Ambiente influencia as Fáscias -
Em seu livro The Endless Web: Fascial Anatomy and Physical Reality (North Atlantic 1996), Louis R. Shultz e Rosemary Feitis discutem como nossas emoções são armazenados dentro do corpo, inclusive no tecido conjuntivo.

"A resposta física às emoções é através do tecido mole", escrevem eles. "A fáscia é o corpo emocional. . . . Idealmente, os sentimentos são sentidos no corpo inteiro -emoções viajam através da teia fascial. Nós, então, interpretamos a sensação fisiológica como raiva, afeição, amor, interesse e assim por diante... A razão pela qual o seu pescoço não pode endireitar e alongar pode ser por causa do choque de ser continuamente intimidado na infância. O trabalho físico vai abrir apenas parcialmente esse problema, a menos que se reconheça que pode ser uma origem emocional."

Utilizando este conceito, o profissional de fitness pode desenvolver uma abordagem holística para a compreensão da postura e movimento de uma abordagem que pode vê-los, não apenas como física, mas como emocional e psicológica também. Fáscia pode tornar-se mais dura e menos complacente quando um cliente está deprimido, ansioso e com medo (Shultz & Feitis 1996; Lowe 1989). Personais percebem isso quando observam clientes após terem um dia miserável. O ambiente influencia bastante a postura, movimento e propriocepção. Talvez melhorar o humor possa melhorar o estado físico através da teia fascial.

8. A fáscia permite-nos treinar o corpo como um todo -
No trabalho de Myers, dissecções demonstraram que o tecido conjuntivo não só envolve músculos, ossos e órgãos, mas o faz de forma contínua através de muitas camadas (Myers 2001). Este link nos conecta de forma holística em movimento e função. Para os atletas ou outras pessoas que procuram melhorar ou maximizar a função, a teia fascial nos dá uma razão para incorporar movimentos de corpo inteiro em nossos regimes de treinamento.

CONCLUSÃO: Quanto mais aprendemos sobre o nosso tecido conjuntivo, mais descobrimos que podemos integrá-lo com os outros sistemas do corpo (muscular, nervoso, esquelético) e obter maior desempenho com o movimento e o próprio corpo humano. Usando linhas miofasciais em nosso treinamento pode nos dar uma perspectiva única sobre como maximizar a nossa capacidade de mitigar vigor, economizar energia e construir a resistência, melhorando a mobilidade multiarticular e força. Treinando o corpo como um todo em três dimensões, ao contrário de treinamento isolado, em partes segmentadas, pode ser um elo perdido nos programas de exercícios de pessoas à procura de manter ou melhorar a integridade de seus corpos.


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quarta-feira, 6 de julho de 2016

TREINAMENTO NEUROMIOFASCIAL - (Parte 1)

Por Thomas Myers
ADVERTÊNCIA: Só para quem gosta de ler... Rsrsrsrsrsrs

Já estamos falando em fáscia e treinamento dela por aqui já faz um tempo...
E agora, algumas pesquisas mais recentes mostram porque definir uma abordagem diferente para o exercício e o movimento é a onda do futuro.
Você sabia que:
1) Grande parte das lesões SÃO nos tecidos conectivos (fáscia), e não nos músculos?
2) Existem 10 vezes mais terminações nervosas sensoriais na fáscia do que nos músculos?
3) Os Livros texto técnicos tradicionais dos músculos e fáscia não são acurados o suficiente para estabelecer a relação íntima entre estes sistemas com todo o corpo, pois se baseiam na "(in)compreensão" isolada de cada um com o movimento específico e não em sua totalidade?
Podemos então elaborar alguns questionamentos mais aprofundados sobre cada uma daquelas: 
1) Então qual a melhor forma de treinar para prevenir e reparar danos, construindo elasticidade e resiliência no sistema fascial?
2) Como podemos direcionar a estimulação proprioceptiva para a fáscia assim como para os músculos?
3) De que maneira podemos trabalhar com a fáscia como um todo, não isoladamente mas como um “órgão sistêmico de estabilidade”?

Saiba que: Consciente ou inconscientemente, temos trabalhado com a fáscia por toda a nossa vida – é inevitável. Agora, no entanto, novas pesquisas estão reforçando a importância da fáscia e outros tecidos conectivos no treinamento funcional (Congresso da Fáscia, 2009). Fáscia é muito mais do que um “invólucro plástico ao redor dos músculos”. Fáscia é um órgão sistêmico de estabilidade e mecanoregulação. Entender isso pode revolucionar muitas das ideias de “fitness”. 
Pesquisas na rede de fáscia desafiam nossas crenças tradicionais e também algumas das novas crenças do mundo "fitness". Toda evidência aponta para uma nova consideração do condicionamento físico geral para a vida.


A Rede Neuromiofascial -

A fáscia é o "patinho feio" dos tecidos do corpo – sistematicamente ignorada, dissecada e jogada fora na lata do lixo, em pedaços rasgados (Schleip 2003). No entanto, a fáscia forma o "container" biológico e o conector de cada órgão (incluindo músculos). Na dissecação, a fáscia é literalmente uma bagunça gordurosa (não é como os livros nos mostram!!) e tão variável entre os indivíduos que na realidade sua arquitetura é difícil de delinear. Por muitas razões, a fáscia não tem sido vista como um sistema inteiro, quando muito uma extensão do músculo que rodeia; portanto, invariavelmente temos sido ignorantes do papel geral dela, especialmente na biomecânica.
Por sorte, e alguns estudiosos cientistas mais curiosos, a natureza mecânica e biológica da rede fascial tem se tornado mais clara. Descobrimos que na realidade existe somente uma rede, sem separação, da cabeça aos pés, da pele até o núcleo (“Núcleo”, tradução da palavra em língua inglesa “core”) ou do nascimento até a morte (Schultz e Feitis, 1996). Cada célula no corpo é ligada e responde ao ambiente tensional da fáscia (Ingber, 1998). Altere sua mecânica e as células podem mudar sua função (Horwitz, 1997). Esta é uma nova maneira radical de entendimento do treinamento personalizado – alongamento – fortalecimento e mudança da forma – tudo como parte da “medicina espacial” (Myers, 1998).
Dados os fatos, muitos prefeririam o termo Rede Neuromiofascial ao termo, que é um insulto à fáscia, sistema musculoesquelético (Schleip, 2003). Estamos acostumados a identificar estruturas individuais dentro da rede fascial, como: Fáscia plantar, tendão calcâneo, trato iliotibial, aponeurose toracolombar, ligamento nucal e assim por diante. Estes são apenas rótulos convenientes para áreas dentro dessa singular rede. Eles podem se qualificar como códigos postais, mas não são estruturas separadas. Assim como podemos identificar os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, mas que, na realidade, existe somente uma única massa de água que circula todo o globo, interconectando a Terra... Com a fáscia ocorre o mesmo. Também falamos a respeito de nervos individuais, mas sabemos que o sistema nervoso reage como um todo aos diferentes estímulos que recebemos.
Mas... De que modo a teia fascial funciona como um sistema?
Se fosse magicamente extraída como um todo, a rede fascial nos mostraria o formato do corpo, por dentro e por fora. Seria apenas uma grande rede com os músculos contorcendo-se nela, como peixes nadando. Órgãos estariam pendurados nela como águas vivas. Cada sistema, cada órgão e até mesmo cada célula viva incorporados dentro do mar da rede unitária fascial.
Este conceito é importante porque estamos fortemente inclinados a nomear estruturas individuais e pensar da velha maneira clínica: – “Ah, você rompeu o bíceps”, esqueça este “bíceps” em nossa concepção. Nossa nomenclatura científica nos dá uma falsa impressão, enquanto que uma crença de uma Nova Era é mais literalmente verdadeira: o corpo – e a rede fascial em particular – é uma única unidade conectada em que músculos e ossos flutuam.
Você pode romper essa rede em uma lesão, cortar com um bisturi de cirurgião, alimentá-la e hidratá-la bem ou entupi-la com xarope de milho com alta frutose. Não importa como você a trate, ela eventualmente irá perder sua elasticidade.
Nos seus olhos por exemplo, a rede enrijece de uma maneira bem regular, requerendo que você precise usar óculos de leitura por volta dos 50 anos. Na sua pele, a rede se desgasta e causa rugas. Elementos chave na cartilagem podem falhar antes que você morra e pode ser que você precise de uma prótese de joelho ou quadril. Mas quando finalmente você der seu último suspiro antes de morrer, sua rede fascial ainda será a mesma rede singular com a qual você iniciou a vida.

Não é de se admirar que este sistema, como os sistemas nervoso e circulatório, iria desenvolver complexos mecanismos de sinalização homeostáticos (Langevin et al. 2006). O que é de se admirar é que até agora não tínhamos analisado ou explorado as respostas do tecido conectivo.
Uma Definição de Termos:
Na medicina, o termo Fáscia designa tecidos com uma histologia e um arranjo específicos, como distinto de tendão, ligamento e outros tecidos específicos. Neste artigo, no entanto, estamos usando fáscia como um nome geral para esta rede sistêmica de tecidos conectivos, porque não existe um termo geral (Huijing e Langevin, 2009). Tecidos conectivos incluem o sangue e as células sanguíneas e outros elementos que não fazem parte da rede estrutural que estamos examinando. Talvez o termo mais perto seja matriz extracelular, que inclui tudo no corpo que não seja uma célula.
O termo Matriz Extracelular é aplicado à soma total da substância extracelular no tecido conjuntivo. Mecanicamente a matriz se desenvolveu para distribuir as tensões de movimento e das forças da gravidade enquanto, ao mesmo tempo, mantém a forma dos diferentes componentes do corpo. Também promove o ambiente fisicoquímico das células nela embutidas, promovendo um ambiente na qual aderem e sobre o qual podem mover-se, mantendo um meio poroso, hidratado, através do qual metabólitos e nutrientes podem se difundir livremente. (Myers, 2009).


A matriz extracelular tem 3 elementos principais:
1) Fibras: um trançado forte e flexível — consistindo primariamente de colágeno (existem mais de 12 tipos de colágeno) e seus primos elastina e reticulina — que separa os compartimentos e os mantém juntos também. A reticulina é uma fibra muito fina, um tipo de colágeno imaturo predominante no embrião, mas que que é largamente substituída por colágeno no adulto. A elastina, como indica seu nome, é empregada em áreas como a orelha, pele ou determinados ligamentos onde a elasticidade é necessária. (Myers, 2009).
2) Cola: Gels variáveis e coloidais como a heparina, fibronectina e ácido hialurônico que acomoda mudanças e fornecem o substrato para outras células como as nervosas e epiteliais.
3) Água: O fluído que cerca e permeia as células como um meio de troca de substâncias; mistura-se com a cola para fazer materiais de diferentes propriedades; e mantém as fibras molhadas e flexíveis.
Embora a matriz extracelular seja nosso tópico abaixo, o termo fáscia como o definimos também inclui fibroblastos e mastócitos, que dão origem às fibras e a cola e então as remodelam em resposta às demandas de lesões, treinamento e hábitos.

O principal elemento estrutural da matriz extracelular compreende as fibras de colágeno, elastina e reticulina. Colágeno de longe é o mais comum destes elementos e também de longe o mais forte. Esta é aquela coisa branca e forte na carne. A fibra de colágeno é uma tripla hélice; se tivesse meia polegada de espessura (1,75 cm) teria uma jarda de comprimento (0,91m) e pareceria com uma velha corda tripla trançada (Snyder, 1975). Fibras de colágeno podem ser arranjadas em linhas direcionais regulares, como nos tendões ou ligamentos (fibras densas e regulares) ou arranjadas de maneira entrecruzada e aleatória, como um feltro (fibras densas ou frouxas e irregulares).
As fibras de colágeno na realidade não ficam umas com as outras, mas são coladas juntas por outras proteínas chamadas glicosaminoglicanos, que são mucopolisacarídeos, ambas são palavras longas para não dizer que são como "ranho". Rsrsrsrsrs Somos mantidos juntos por muco, uma substância coloidal que pode variar levemente sua química, podendo exibir um surpreendente arranjo de propriedades, desde espessa e pegajosa à fluida e lubrificante. As moléculas mucosas se abrem para absorver água (elas são hidrofílicas) ou se fecham em si mesmas quando a água está ausente. Dependendo de sua química ou suas camadas se unem ou se permitem deslizar umas sobre as outras (Grinnell, 2008).
O fenômeno que chamamos “alongamento” (que os cientistas chamam “deformação” ou ainda de histerese) não é uma função do aumento de comprimento das fibras de colágeno mas de suas fibras deslizando umas sobre as outras na cola de glicosaminoglicanos hidratados (Sbriccoli et al. 2005). Tire água dos glicosaminoglicanos e o resultado é um tecido que é poderosamente relutante em alongar (Schleip 2003).
A Deformação é quando um tecido conjuntivo sofre uma deformação em virtude de uma carga atuando sobre ele por um tempo relativamente longo. Já a Histerese é a tendência de um material de manter suas propriedades na ausência do estímulo que as gerou. No caso do tecido conjuntivo, ele tende a apresentar um comportamento diferente durante a atuação e retirada da carga aplicada sobre o mesmo.

A maioria das lesões ocorrem quando o tecido conectivo é alongado mais rápido do que sua capacidade em responder. Quanto menos hidratado for, menor capacidade de resposta elástica ele terá.
Células do tecido conectivo produzem as fibras e os glicosaminoglicanos (Fibroblastos principalmente), estes materiais são alterados para formar uma incrível variedade de materiais de construção. Se você tentar recriar seu corpo estrutural com itens que poderia comprar, do que precisaria? Madeira ou canos de PVC para ossos, borracha de silicone para cartilagem, um monte de cordas, fios, tubos de borracha, folhas de plástico, faixas elásticas, algodão, redes, graxa e óleo – e a lista continua. Teríamos como construir um corpo sem fita adesiva?
O corpo manufatura todos estes materiais e muitos outros mais ao misturar juntas várias proporções das fibras da matriz extracelular e cola, ao alterar sua química de diferentes maneiras (Snyder, 1975). Nos ossos, a matriz de fibras está presente, muito parecida com couro, mas a substância fundamental (como uma mucosa) é sistematicamente substituída por sais minerais. A cartilagem tem o mesmo substrato do couro, mas a cola é secada para formar um “plástico” duro e flexível que permeia o couro fibroso. Em ligamentos e tendões, quase toda cola é espremida para fora. No sangue e no líquido sinovial, a fibra existe somente em uma forma líquida, até que é exposta ao ar, quando forma uma crosta. Esta manufatura no corpo é fascinante: a dentina nos dentes, as gengivas, as válvulas do coração, inclusive a córnea dos olhos — todos são formados da mesma maneira.

Remodelamento e Tensegridade -
Seus músculos podem determinar sua forma em uma ótica de treinamento, mas o tecido conectivo determina sua forma em uma ótica geral. Ele segura os ossos juntos, puxando um contra o outro quando eles empurram para fora (Tensegridade poderia ser resumido como o equilíbrio entres as forças de tensão e compressão atuando sobre um corpo).
A matriz extracelular é capaz de se remodelar em uma variedade de maneiras (Chen et. al 1997). Assim como os músculos se remodelam em resposta ao treinamento, a fáscia se remodela em resposta a um sinal direto das células (Langevin et al. 2010); lesões (Desmouli’ere, Chapponnier e Gabbiani, 2005); forças mecânicas sustentadas por muito tempo (Iatrides et al. 2003); padrões (incluindo emocionais); gravidade; e certas químicas dentro do corpo (Grinnell e Petroll, 2010). As complexidades do remodelamento estão sendo exploradas agora em laboratório e os detalhes deverão ser revelados ainda nesta década.
A ideia de tensegridade (tensão e integridade) e o fenômeno do remodelamento, são as bases para a terapia estrutural, incluindo ioga e as formas de terapia manual conhecidas como Rolfing® ou Integração Estrutural e seus parentes, incluindo autoliberação miofascial. Mude a demanda – como fazemos no trabalho corporal ou no treinamento personalizado – e os sistemas fasciais respondem a esta nova demanda. Este tema comum, aponta para um futuro onde terapia manual e treinamento de movimento se combinam para formar um poderoso método para:
- Restaurar ambientes naturais para postura e função;
- Administrar pequenos problemas antes que se desenvolvam e se tornem grandes problemas mais tarde;
- Diminuir as consequências de longo prazo de uma lesão;
- Estender movimentos funcionais cada vez mais longe na escala cronológica.
Um ambiente novo, pouco explorado e maravilhoso que se descortina para Profissionais da saúde e do movimento!

Continua... 

Leia a Parte 2: 

ATIVIDADE FÍSICA... FAÇA A COISA CERTA! 

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EXCELENTES ATIVIDADES FÍSICAS E ATÉ A PRÓXIMA!


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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

INTEGRALIDADE CORPORAL - SUAS ATIVIDADES FÍSICAS ESTÃO ADEQUADAS?





“O equilíbrio postural é constituído de uma sucessão ascendente de desequilíbrios controlados pela musculatura tônica. Cada segmento de nosso corpo deve equilibrar-se, e esse equilíbrio será também condicionado pelos segmentos corporais adjacentes.” (Carneiro, 2003)



O movimento exerce fascínio sobre o ser humano, afinal ele foi, é e sempre será indispensável à nossa sobrevivência. É uma necessidade fisiológica, sabiam? 

Sem ele... Morremos precocemente! Ou, no mínimo, diminuímos muito nossa capacidade produtiva!


Os humanos anatomicamente modernos (vou usar este termo para combinar com o artigo) originaram-se na África há cerca de 200 mil anos, atingindo o comportamento moderno há cerca de uns 50 mil anos. E desde a pré-história como Homem Sapiens sapiens, se não fossemos capazes de nos movimentar não teríamos chegado até aqui. Grandes migrações foram necessárias para fugir de adversidades climáticas e ainda para procurar por alimento e/ou abrigo e ainda para uma fuga inesperada. Um tempo em que éramos essencialmente Nômades! Íamos, para a nossa sobrevivência, de um local para outro! Sem parada certa ou definitiva! O Sedentarismo, como termo antropológico, é relativamente recente na contagem de tempo histórica! O sedentarismo se tornou possível com a descoberta e aperfeiçoamento de técnicas agrícolas e pecuárias (domesticação). Isso há "apenas" uns 20.000 anos! O desenvolvimento do sedentarismo aumentou a agregação populacional e levou à formação de vilas, cidades e outras formas de comunidades.


À medida que nos "civilizamos" ganhamos por um lado, mas também... perdemos, e muito, por outro. Começamos a ter menos necessidade (ou seria vontade?) de nos movimentar. E o Sedentarismo Moderno tomou conta do Corpo humano! Contudo, não devemos nos esquecer de que, O movimento é uma Necessidade Fisiológica para todo Ser Vivo Animal! Sem ele, a inatividade cada vez maior do nosso corpo preparado para o movimento... Acabará por deixar muitas sequelas! Muitas vezes é capaz de até levar à MORTE! 
E uma nova modalidade de doenças e distúrbios passou a fazer parte da nossa vida! A Hipocinestesia (Falta de Movimento)! O mal do nosso século! O resultado dessa brincadeira (ou a falta delas!) é a perda de movimentos, força, agilidade, ganho excessivo de massa gorda, patologias cardíacas, respiratórias, osteomusculares e orgânicas...

E como consequência desta hipocinestesia, muitas alterações nos padrões naturais dos movimentos e posturais começaram a surgir. Assim diferentes áreas da saúde começaram a desenvolver através de pesquisas, experiências e conhecimento; mecanismos, meios, métodos de atividades/exercícios físicos para tentar corrigir todo este processo. Uma destas importantes áreas foi e está sendo a Educação Física! Profissionais comprometidos com a saúde e a qualidade de vida de seus alunos/clientes não cansam de se aperfeiçoar e especializar em diferentes assuntos... E, por isso mesmo, um "novo" conceito em abordagem será tratado agora!

Daqueles tempos empíricos para cá houve uma grande evolução na Educação Física, mas ainda hoje se observa, por grande parte dos profissionais, um profundo desconhecimento e/ou uma grande resistência ao pensamento da Integralidade. Afinal é muito mais prático e cômodo trabalharmos os movimentos isolados, compartimentados ou localizados.

Contudo, temos urgentemente que entender que só recuperamos os movimentos naturais se compreendermos que ele envolve todo o corpo. Hoje, mais do que nunca não se pode aceitar o pensamento analítico ou cartesiano; de focar apenas na região debilitada ou enfraquecida ou descompensada. Isso é contrário aos princípios universais que regem o movimento. O movimento é sistêmico, holístico e assim deve corresponder à uma ideia de que as suas propriedades totais não podem ser explicadas apenas pela soma dos seus componentes isoladamente. Isso não é matemática! 
Mas sim que o sistema, como um todo, determina como se comportam as suas partes. A análise deve ser sistêmica!

“O todo é maior do que a simples soma das suas partes.” (Aristóteles) 


E para que possamos, nós profissionais do movimento, desenvolvermos um Programa de Tratamento Eficaz e Seguro é indispensável compreender que o Sistema de Movimento Humano é altamente complexo com seus componentes Miofasciais, Neuromusculares e Articulares, interligados e interdependentes.
Basta uma estrutura alterar, um pouco que seja, a sua posição ou sua configuração espacial, para repercutir no todo em que está inserida.
Não é nada fácil nos manter dentro de um padrão ideal de estabilidade corporal, onde todos os segmentos corporais estejam alinhados de tal modo que o mínimo de esforço seja transferido para tendões, ligamentos, cápsula articular e articulações. 
Somos submetidos durante as 24 horas por dia a forças externas que tendem a nos tirar do padrão ideal de Equilíbrio, onde o sistema muscular tem um papel fundamental tanto para nosso equilíbrio estático quanto dinâmico. A musculatura ao redor das articulações precisa manter um nível ótimo de tensão em todas as direções a fim de sustentar cada articulação na posição ideal. E estas forças agindo equilibradamente, hoje recebe o nome de TENSEGRIDADE CORPORAL! 
E na tentativa de aprofundar mais nesta linha de conhecimento nos deparamos com os trabalhos de Tom Myers e seus trilhos anatômicos e rotas miofasciais.

O que é tensegridade?



A palavra tensegridade (tensão + integridade, ou seja, integridade das tensões) foi criada e utilizada por R. Buckminster Fuller - arquiteto, engenheiro, cientista e sonhador - que a descreveu como "uma propriedade presente em objetos cujos componentes usam a tração e a compressão de forma combinada, o que proporciona estabilidade e resistência, assegurando sua integridade global”.

O conceito migrou também para as aplicações na Biologia e foi desenvolvido por Donald Ingber, médico e pesquisador.
Nesta nova abordagem temos que romper com o nosso conceito clássico da biomecânica baseada no modelo compressivo newtoniano e ir um pouco mais além...

Estruturas biológicas tais como músculos e ossos, estruturas elásticas ou rígidas se tornam fortes devido ao uníssono das partes tensionadas e comprimidas. O sistema músculo-esquelético é uma sinergia de músculos e ossos. Os músculos e os tecidos conectivos fornecem tração contínua e os ossos, compressão descontínua, fortalecendo-se mutuamente.
Daí a importância do exercício, ou seja, trabalho muscular na prevenção e tratamento da osteoporose por exemplo.

"Devido a propriedade elástica das interconexões, quando um elemento da estrutura "Tensegrity" é deslocado, esta mudança será transmitida por toda estrutura e todos os elementos serão ou terão uma tendência para serem deslocados, ou se adaptarão para uma nova configuração, cedendo a essas mudanças".


A tensegridade ou integridade tensional é uma propriedade da física que se aplica em materiais cujos componentes usam da tração e da compressão de forma a proporcionar- lhes estabilidade e resistência. Em linhas gerais esse conceito é descrito por uma relação entre forças contrárias, onde a tração é contínua e a compressão descontínua.

Um exemplo seria um balão cheio de ar onde as paredes do balão agem em tensão enquanto as moléculas de ar presentes dentro do balão agem comprimindo suas paredes, fato que garante a resistência do balão mesmo este sendo feito por um material fino, instável e fraco.

Então a Tensegridade nos ajuda a raciocinar em integralidade (globalidade), com todas as estruturas interconectadas.
Desta maneira fica mais evidente a compreensão do porque os tratamentos "localizados" acabam por ser menos eficazes. As análises mecânicas de resultantes de força abordam segmentos com suas alavancas e ângulos, não demonstrando o quão notável é a reação do TODO àquela ação. Isso conduz a um quadro incompleto da experiência do movimento humano. 
Não queremos dizer que o trabalho localizado não tem aplicação... A musculação está ai para qualquer dúvida!

Contudo, enfrentamos um grave problema dentro das academias; O EXCESSO DE SEGMENTAÇÃO! Este provocado pelo uso abusivo de exercícios isolados e/ou, por muitos acreditarem que quanto mais exercícios fizerem para um determinado músculo/grupo muscular, melhores serão os resultados! 
Com o tempo poderemos imaginar e/ou (pior!) constatar na prática o resultado negativo sobre a integridade estrutural artrotendinosa e tantas alterações posturais que observamos entre muitos dos adeptos da musculação absurdamente desequilibrada! E, infelizmente, muitas das vezes, "orientada" pelo professor instrutor.

A diferença é, entre o eficiente e o eficaz, o que vai fazer maior diferença no objetivo do seu cliente/aluno! E em que momento também é mais seguro aplicar o conceito da integralidade ou o conceito da segmentalidade (localizado). Cada momento terá sua aplicabilidade! Contudo... nem sempre os exercícios localizados serão os mais apropriados! E conhecer minimamente os conceitos da Tensegridade Corporal, poderá fazer uma enorme diferença!

Nos seres humanos, o conceito da tensegridade também pode ser aplicado quando correlacionamos a interação entre músculos e ossos onde os músculos atuam numa tração contínua e os ossos atuam numa compressão descontínua dando estabilidade estática e dinâmica às partes do corpo e ao próprio movimento.
Caso ocorra algum desequilíbrio entres as estruturas musculares e ósseas, é possível que não ocorra uma congruência articular adequada gerando assim sobrecarga em estruturas como tendões em ligamentos e, isso a curto ou a longo prazo, pode desenvolver algum tipo de lesão, gerada pelas alterações nos padrões posturais tanto estáticos quanto dinâmicos.

Para MAGEE (1977) e KENDALL (1995) uma boa postura é definida como sendo uma posição onde o mínimo de esforço é aplicado em cada articulação, ou seja, a atividade muscular necessária para manter o posicionamento é mínima, assim a integridade tensional da musculatura é muito importante, pois sendo os músculos estruturas que tracionam – se em sentidos opostos para manter um correto alinhamento postural e uma descarga de peso neutro nas articulações, qualquer tensão desigual pode causar alterações posturais e sobrecarga mecânica nas estruturas tendinosas, ligamentares e ósseas.

Entretanto, infelizmente, o nosso corpo está constantemente sujeito a alterações do padrão de normalidade de equilíbrio dentre os mais diversos segmentos corporais seja pelo sedentarismo ou pela prática física. Caso as forças que atuam sobre nosso corpo estejam desequilibradas, as ações musculares, articulares e seus respectivos movimentos apresentarão alterações em seus padrões.

Usando um exemplo como, em caso de dor, involuntariamente limita-se a amplitude de movimento e altera-se ainda mais o padrão de movimento como forma de acomodar a articulação ou tecido em sofrimento durante as Atividades da Vida Diária (AVD’s), bem como nos exercícios da musculação ou outra atividade física qualquer. Isto pode se tornar uma bola de neve levando a problemas em outras articulações devido à redução do controle neuromuscular por padrões precários de movimento. Tais padrões alterados induzem a movimentos imprecisos, gerando ações musculares compensatórias e daí surgem as SÍNDROMES DE DOMINÂNCIA, SÍNDROMES DE DESBALANCEAMENTO MUSCULAR, DIFERENÇAS ABSURDAS DE STIFFNESS (RIGIDEZ) E ROTAS MIOFASCIAIS COMPLETAMENTE ALTERADAS.
Consequentemente, isto aumenta a suscetibilidade direcional do movimento, que por sua vez, expõe as estruturas envolvidas a microtraumas e por superposição destes, às LESÕES. Estas podem demandar tempo; semanas, meses e às vezes, anos... Mas quando dão sinais, onde a dor é o primeiro e maior indicativo de que alguma coisa não vai bem, o processo já está instalado e sua recuperação será lenta e penosa, limitando não só a prática física bem como a movimentação normal do indivíduo. Algumas lesões podem chegar ao nível cirúrgico e outras, nem com isso se recuperarão! 

Desta maneira os desequilíbrios musculoarticulares, ou padrões alterados, podem ocorrer por alterações dos padrões de:
1) DESEQUILÍBRIO DE FLEXIBILIDADE;
2) DESEQUILÍBRIOS DE FORÇA;
3) DESEQUILÍBRIOS DE ESTABILIDADE (sinergismos musculares incompetentes);
4) MOVIMENTOS REPETITIVOS;
5) POSTURAS ERRÔNEAS SUSTENTADAS.

Temos que perceber que o movimento humano é altamente complexo. Não é como, na física, uma análise puramente cartesiana e matemática da mecânica! Em nosso corpo, além de uma intrincada rede biomecânica (tecidos musculares, conjuntivos e ósseos), que transmite e absorve, converge e diverge tensões e pressões, há ainda um sistema inteligente (consciente e inconsciente) que a controla e organiza. 
São inúmeros parâmetro para serem orquestrados a fim de produzir movimentos graciosos e harmônicos. Desde os mais simples aos mais complexos! E exatamente como numa orquestra, todos os elementos precisam estar afinados e em sintonia para produzir gestos organizados, coordenados ou ações eficientes com um mínimo esforço. É assim que as estruturas vivas trabalham... na economia! Menor desgaste, menor dispêndio de energia... Maior a durabilidade e melhor a resposta quando solicitado! 

O treinamento adequado modifica justamente estes parâmetros... Treinamos forte por um período relativamente curto, mas intenso!, para preparar o corpo a suportar, através das suas adaptações ao estresse imposto, as cargas diárias mais frequentes, porém menos intensas, com maior facilidade e economia. Preservando e até aprimorando todas as estruturas e capacidades físicas envolvidas!

Porém é muito comum, inclusive por profissionais da área, visualizar nossos próprios corpos de uma forma estática ou pontual e não sistêmica - "os seus quadríceps estão aqui", “os bíceps são trabalhados nestes exercícios”, “estes são agônicos para isso e antagônicos para aquilo”, "esses músculos tem mesma origem, ou a mesma inserção”, “estes outros percorrem o mesmo segmento um ao lado do outro"... E assim por diante! 
Mas estamos em constante movimento, ou deveríamos estar!, e nossos músculos e fáscias estão contraindo, relaxando, distendendo e comprimindo e deslizando e desta maneira se adaptando aos estresses impostos à medida que persistimos ou modificamos a forma de utilizar os nossos corpos. E para todo estímulo se tem uma resposta! E podemos aplicar estímulos adequados ou não! Neste sentido, o conhecimento profissional fará enorme diferença!  

E este conceito da TENSEGRIDADE CORPORAL é o grande diferencial!


Nos enganamos ao pensar que somente os músculos são responsáveis diretos em gerar tanta força tensional para nos manter ESTÁVEIS. Na verdade, a maior parte dessa força é transmitida através das FÁSCIAS MUSCULARES, tecido conjuntivo fibroso (formado basicamente por colágeno) que reveste todos nossos músculos. As Fáscias Musculares se conectam entre músculos adjacentes formando “linhas de forças” que chamamos de ROTAS MIOFASCIAIS. Cada músculo em conexão com as suas fáscias (componente miofascial, unidade inseparável importante em nossa análise!) são responsáveis por determinadas linhas de força e de tensão (que chamamos de rotas miofaciais e/ou trilhos anatômicos – assunto vasto para outro post), e a maneira como nós nos movimentamos (com nossa postura dinâmica) ou assumimos posturas estáticas, em nosso dia-a-dia, podemos alterar severamente a forma de encurtar ou alongar (pelo posicionamento) algumas destas linhas. Comprometendo, mais ou menos, as interações das diferentes estruturas pelo corpo todo! 

Quando conseguimos observar essa conexão miofascial conseguimos entender com mais clareza onde podem estar acontecendo os desequilíbrios e, através de uma seleção criteriosa de exercícios, volume e intensidade aplicados sobre os diferentes segmentos corporais, poderemos de uma maneira adequada recuperar a TENSEGRIDADE ideal.

E para compreender melhor temos que visualizar algumas destas Rotas Miofasciais:
a) A Linha Superficial Anterior (LSA), que traciona nosso corpo anteriormente de cima para baixo (sentido gravitacional).




b) A Linha Anterior Profunda (LAP), que gera a tensão interna profunda de baixo para cima e de cima para baixo criando o que chamamos de “CORE VERDADEIRO”. 



c) A Linha Superficial Posterior (LSP), que traciona nosso corpo posteriormente de baixo para cima (sentido antigravitacional).


Estas 3 Linhas quando perfeitamente equilibradas se consegue manter o padrão de estabilidade ideal postural, preservando as curvaturas anatômicas da coluna. 
Interessante que não precisamos de nenhum equipamento altamente sofisticado para analisar o comportamento dessas linhas entre os mais comuns padrões posturais, basta CONHECIMENTO e um “OLHO” bem treinado do Profissional.

“OS OLHOS SÓ VEEM O QUE O CÉREBRO TREINADO CONHECE”! (Dra. Shirley Sahrmann)

Importante salientar também que outras linhas tem suas importâncias neste equilíbrio:
- Linha Funcional;
- Linha Espiral;
- Linha Lateral

Portanto, num modelo Ideal todas as superfícies e articulações deveriam estar livres para se moverem em sua totalidade e alcançar o movimento desejado com um mínimo de esforço... mas isto raramente acontece! E por quê? 

Informação importante!...

O corpo está constantemente produzindo novas fibras de colágeno (Tecido conjuntivo denso é o que nos interessa para esta análise) - que adicionam rigidez (Stiffness) à nossa estrutura, deixando mais firme e forte! E isso acontece a todo o momento por toda a vida! 
Para facilitar a compreensão... Lembrar que os corpos vivos trabalham sempre na economia! Então vamos pensar nisso como um processo de poupança de “energia adaptativa” do corpo. Se uma área do corpo não está a se mover muito, em vez de manter este músculo (mais gastador), associado a uma tensão constante desperdiçando energia, o corpo para poupar, acaba por enrijecer (deixar mais “forte”) esta estrutura através do colágeno/tecido conjuntivo (mais econômico), fazendo assim com que o músculo não tenha que trabalhar tão duro e desperdiçar uma importante cota de energia. Como resultado, teremos uma limitação de movimento, pois o colágeno/tecido conjuntivo mais espesso/denso é menos flexível! 

"Mas como o corpo sabe onde adicionar colágeno para enrijecer uma estrutura não usada com o movimento?"
A resposta é que ele não "sabe" onde adicionar o colágeno... Ele apenas está constantemente (por toda a vida!) produzindo colágeno ao longo de todos os músculos e fáscias/tecidos conjuntivos. 
Desta maneira, e de uma forma simplificada de explicar, nas regiões que usamos com movimentos constantes, os músculos estarão soltos e livres para se mover, mas as regiões que estão sendo utilizadas de forma estática, continuarão a enrijecer pelo desenvolvimento inadequado do tecido conjuntivo (aumentando o stiffness/rigidez nestas regiões! 
Em outras palavras, nosso corpo não tem uma resposta intencional, mas naturalmente reforça os padrões do uso diário, ou seja, nossos hábitos. Portanto... Devemos tomar muito cuidado com nossos hábitos!

Exemplo: A posição alterada das estruturas dos componentes do quadril, por exemplo, pode levar a alteração no padrão de cadeias cinéticas inteiras, podendo ser a origem de dores que se expressarão no joelho, tornozelo, coluna e até no ombro. Da mesma maneira que um encurtamento severo do tríceps sural (posterior da Perna, gastrocnêmicos e solear) poderá desencadear, por um processo de tração de toda a linha (rota) miofacial da cadeia cinética posterior, uma compressão exagerada na região cervical (pescoço). Neste caso, não adiantará tratar o problema localizadamente, se não for à origem do problema, ou seja, na perna! Outra extremidade corporal!
Uma vez que nosso corpo é uma teia complexa de tensão único; alterando a tensão de uma estrutura localmente (ou seja, através de apenas um músculo ou dois), isso causará um impacto em cascata sobre toda a estrutura. Isso leva ao problema comum de que uma aderência em uma parte do corpo resulta em dor em uma articulação em outro lugar. Um outro exemplo seria ter uma lesão na panturrilha que se reforça, enrijecendo a rede local de tal modo que o isquiotibial/isquiossural também fica encurtado, que por sua vez alterará o posicionamento do osso ilíaco, que, ao fim, pode resultará em dor lombar! Estes são apenas alguns, de muitos exemplos e casos reais.



Desta maneira, compreender a Tensegridade, está por trás da linha de raciocínio da resolução de problemas complexos como a escoliose, espondilolistese, os problemas relacionados à instabilidade de estruturas e demais alterações posturais. E é um estudo também complexo! Mas não necessariamente complicado!
Manter um corpo com alterações estruturais em movimento, levando-o para próximo do seu ótimo em todas as suas capacidades, ou seja, de modo realmente funcional é o nosso grande desafio e nosso objetivo e, sem dúvida, compreender a Tensegridade nos ajuda a atingir nossa meta. 
Portanto, o método de treinamento que você utiliza ou o seu professor... está perfeitamente adequado a todo este mecanismo? É importante perguntar!

Assim, se alongarmos (e pode ser através dos gestos motores!) e utilizarmos plena e satisfatoriamente nossos corpos iremos mantê-los adaptados para o movimento! Se você passar a maior parte de seu dia sentado em uma cadeira ou um carro, você deve pensar sobre a quanto estímulo e carga os músculos em suas costas e quadris estão sendo submetidos diariamente...
Isto é crítico se você ainda quiser estar dançando, correndo ou ter um mínimo de autonomia quando chegar aos 80 anos de idade! E tenho certeza que você quer isso! Se iremos viver muito, pois nossa expectativa de vida aumentou, que seja com saúde e qualidade de vida não é?



Mas o que fazer se o corpo já está com tecido cicatricial ou aderências (a partir dos músculos sub-utilizados) que o impedem de se mover livremente agora? 
- Se a adesão for espessa o suficiente, muito provavelmente você já não será capaz de soltá-lo/liberá-lo apenas através de alongamentos e/ou movimentos. 
Precisará ir primeiro a um Fisioterapeuta que se utilizará de técnicas manuais (como "massagens" específicas feita por profissional habilitado), e outras técnicas terapêuticas físicas como as abordagens em globalidade, o RPG - Reeducação Postural Global - por exemplo.
Só depois, um bom profissional de Educação Física, e conhecedor destes conceitos, poderá prescrever e orientar as atividades físicas/exercícios físicos adequados ao seus problemas, objetivos e necessidades. 

E para estes casos, atividades/exercícios que proporcionam um correto posicionamento das estruturas ósseas durante a execução do movimento e que consideram o padrão motor importante fator para prescrição de exercícios, são destacados como sendo ideais, especialmente ao público sedentário, com hábitos posturais, comportamentais e pessoais extremamente inadequados; ainda aos praticantes de esporte de alto rendimento que desejam obter maior eficiência em seus gestos motores, com menor dispêndio de energia e até lesionados, pelo simples fato de garantir segurança durante os exercícios e o correto desempenho muscular, preservando assim as articulações e tudo que as constituem.

Importante ressaltar que qualquer modalidade de exercício pode-se atuar com esses objetivos, tais como: musculação, aulas de ginástica, atividades aquáticas e esportes em geral, desde que seja de conhecimento do profissional os conceitos básicos da didática, do treinamento, da cinesiologia, fisiologia, biomecânica/postura estática e dinâmica...

O método da Tensegridade Corporal destaca-se na aplicação do conceito da Integralidade, pois tem como princípio, para uma perfeita e segura execução controlada dos movimentos, o alinhamento natural total do corpo, possibilitando assim uma melhor atividade muscular dos músculos mais profundos que participam diretamente na estabilidade de todo o conjunto articular e muscular, tornando o movimento congruente e muito mais eficaz.
Correlacionando sempre a qualidade do movimento na intensidade ao invés da quantidade, e equilibrando as capacidades físicas que prioritariamente são desenvolvidas em cada sessão, busca-se equilibrar as forças aplicadas no corpo e assim proporcionar uma maior fluidez nos gestos corporais. Afinal... Qualidade, Equilíbrio e Segurança são Fundamentais!


Neste método, da Tensegridade, observamos que é necessário que as estruturas musculares, ligamentares, tendinosas e neurais atuem de forma combinada durante o movimento, garantindo que ocorra a correta tração dos músculos e a compressão dos ossos. Para que isso ocorra, é necessário reeducar o movimento, corrigindo o padrão motor ou a postura incorreta e buscar uma melhor conexão entre o sistema nervoso central e os músculos. Por isso mesmo, diferentemente de outros métodos, aqui é muito importante e fundamental para todo o processo, que, em cada unidade de aula/aprendizado, o foco principal é o gesto motor, a postura (estática e dinâmica), a concentração e os padrões naturais dos movimentos. 

Neste processo também, seguindo o princípio da Tensegridade, não poderia deixar de se dar uma atenção especial ao conceito da concentração e neurolinguística (trataremos com mais profundidade em post futuro sobre bioenergética). 
A concentração é um princípio fundamental estar sempre presente para a execução correta dos exercícios, pois é a mente que esculpe o corpo. Sendo assim, o aprendizado do movimento com a mentalização dos seus resultados e o direcionamento da máxima atenção para a execução perfeita durante a aula é de suma importância e característica fundamental neste método.
Alguns chamam isso de contrologia ou a "Arte de controle e equilíbrio mente-corpo.” A Contrologia é o equilíbrio, o controle do corpo e da mente, através do qual podemos despender o mínimo de energia e, assim, garantir uma boa saúde e desenvolvimento natural com os melhores resultados. Ela desenvolve um corpo uniforme, corrige posturas erradas, restaura a vitalidade física, vigora a mente e eleva o espírito.
Isso é tudo o que queremos neste método.... O desenvolvimento de um corpo uniforme, com uma postura correta, com uma grande vitalidade, uma mente vigorosa e um espírito elevado, considerando então o corpo como unidade funcional, onde cada parte deve atuar de forma clara e precisa evitando qualquer compensação, para que o todo seja alcançado. 

O método da TENSEGRIDADE CORPORAL, quando corretamente aplicado é capaz de tornar os movimentos mais seguros e precisos dando base para qualquer situação, seja ela no dia a dia, em alguma modalidade de exercício ou até mesmo no esporte, tornando cada prática ainda mais saudável.
Além de um repertório rico de exercícios, estes conceitos podem e devem ser transferidos para a vida de cada um, possibilitando assim maiores resultados. 
Afinal... não interessa o que você faz e, sim, como faz! 


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