MISSÃO:

Profissional especializado em Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida. Sérgio Nunes e sua empresa QualiFis, pretendem desenvolver junto aos seus alunos e clientes a ideia da verdadeira Saúde, que obviamente não é apenas a ausência de doença, mas também o Encantamento com a Vida, dotando-os de um entendimento adequado de se Priorizar, de compreender que vale a pena Investir no seu Potencial de Ser, através do investimento na melhoria da Qualidade de Vida, aprimorando a saúde e usando como meio, a Atividade Física, em suas mais diferentes possibilidades.

“As informações, dicas e sugestões contidas nesse blog têm caráter meramente informativo, e não substituem o aconselhamento individual e o acompanhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física.”

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

DOENÇA CELÍACA


A doença celíaca (também conhecida como enteropatia glúten-induzida) é uma patologia autoimune que afeta o intestino delgado de adultos e crianças geneticamente predispostos, precipitada pela ingestão de alimentos que contêm glúten. A doença causa atrofia das vilosidades da mucosa do intestino delgado, causando prejuízo na absorção dos nutrientes, vitaminas, sais minerais e água.
Os sintomas intestinais incluem diarréia crônica ou prisão de ventre, inchaço e flatulência, irritabilidade, fadiga e pouco ganho de peso. Os pacientes podem apresentar atraso de crescimento e da puberdade, anemia da carência de ferro, osteopenia ou osteoporose, exames anormais de fígado, e uma erupção na pele que faz coçar chamada dermatite herpetiforme. A doença celíaca também pode não apresentar nenhum sintoma.
Além disso, diversos sintomas associados em todos os sistemas do corpo humano já foram descritos.
A doença celíaca apesar de relativamente comum, pode levar anos para ser  diagnosticada. Os exames de sangue são muito utilizados na detecção da doença celíaca. Os exames do anticorpo anti-transglutaminase e do anticorpo anti-endomísio são altamente precisos e confiáveis, mas insuficientes para um diagnóstico.  A doença celíaca deve ser confirmada encontrando-se certas mudanças nos vilos que revestem a parede do intestino delgado. Para ver essas mudanças, uma amostra de tecido do intestino delgado é colhida através de um procedimento chamado endoscopia com biópsia (Um instrumento flexível como uma sonda é inserido através da boca, passa pela garganta e pelo estômago, e chega ao intestino delgado para obter  pequenas amostras de tecido).
A doença afeta aproximadamente 1% das populações Indo-européias, embora seja significativamente não-diagnosticada, já que na maioria dos portadores ela causa sintomas mínimos ou ausentes. Ocorre mais comumente em mulheres, na proporção de 2:1, e é mais comum em parentes de primeiro grau de portadores.
Estima-se que 1 em cada grupo de 100 a 200 pessoas nos EUA e na Europa tenha a doença celíaca ( no Brasil ainda não há um número oficial sobre a prevalência da DC, mas numa pesquisa publicada pela UNIFESP - 2005, em um estudo feito com adultos doadores de sangue, o resultado  apresentou  incidência de 1 celíaco para cada grupo de 214, moradores de São Paulo).
Ela também já foi também chamada de espru celíaco, espru não-tropical ou enteropatia glúten sensível, nomes que ainda aparecem em algumas referências sobre o assunto.
As pessoas com maior risco de contrair a  doença celíaca são aquelas que têm diabete do tipo 1, doença autoimune da tiróide, síndrome de Turner, síndrome de Williams, ou parentes com a doença celíaca. Você pode ter a doença celíaca mesmo sem fazer parte de um dos grupos de maior risco.
História:
A doença celíaca é conhecida desde o Século XI, mas foi só em 1888 que Samuel Gee, um pesquisador inglês, a descreveu em detalhes e achou que as farinhas poderiam ser as causadoras da moléstia. Em 1950, Dicke, um pediatra holandês, observou que durante a guerra, quando o pão esteve escasso na Europa, diminuíram os casos de doença celíaca. Três anos depois ele conseguiu comprovar sua teoria, deixando claro o papel do glúten (contido no trigo, cevada, aveia e centeio) na provocação da doença.

Sinais e sintomas:

Os sintomas clássicos da doença celíaca incluem diarreiaperda de peso (ou falta de crescimento nas crianças) e fadiga, mas mesmo a doença celíaca sendo uma doença dos intestinos principalmente, os sintomas relacionados aos intestinos podem ser limitados ou até mesmo ausentes. Alguns pacientes são diagnosticados com sintomas relacionados à absorção diminuída de nutrientes ou com vários outros sintomas que, embora estatisticamente relacionados, não possuem clara relação com o mau funcionamento dos intestinos. Dada esta vasta gama de possíveis sintomas, a tríade clássica de sintomas não é mais uma obrigação para o diagnóstico.
As crianças entre os 9 e 24 meses tendem a apresentar sintomas intestinais e problemas de crescimento logo após a primeira exposição a produtos que contenham glúten. Crianças mais velhas podem ter mais problemas relacionados à má-absorção e problemas psicosociais, enquanto adultos geralmente têm problemas de má-absorção. Muitos adultos com a doença mais sutil possuem somente fadiga ou anemia.
diarréia característica da doença celíaca é pálida, volumosa e mal-cheirosa. Podem também estar presentes dor abdominal e cãibra, distensão abdominal (devido à produção fermentativa de gases intestinais) e úlceras na boca. Assim que os intestinos se tornam mais lesados, uma grau de intolerância à lactose pode se desenvolver. Entretanto, a variedade de sintomas gastrointestinais que podem estar presentes em pacientes com doença celíaca é grande, e alguns podem ter um hábito intestinal normal ou mesmo ter obstipação. Frequentemente os sintomas são atribuídos à síndrome do intestino irritável, somente sendo reconhecido posteriormente a doença celíaca. Uma pequena proporção dos pacientes com sintomas desta síndrome possuem a doença celíaca, logo um exame minucioso pode ser necessário.
A doença celíaca leva a um risco aumentado de adenocarcinoma e linfoma do intestino delgado, que pode diminuir aos padrões normais com a dieta adequada. A doença quando presente por muito tempo pode levar a outras complicações, como a jejunite ulcerativa (formação ulcerativa do intestino delgado) e um estreitamento como resultado das cicatrizações.
As mudanças no intestino o tornam menos capaz de absorver nutrientes, minerais e as vitaminas lipossolúveis A, D, E e K.
  • A dificuldade em absorver carboidratos e gorduras pode causar perda de peso (ou dificuldades de desenvolvimento nas crianças) e fadigaou falta de energia.
  • Pode ser desenvolvida anemia de diversas formas: a má-absorção de ferro pode causar anemia ferropriva e a má-absorção de ácido fólicovitamina B12 pode dar origem a uma anemia megaloblástica.
  • A má-absorção de cálcio e vitamina D (e o hiperparatireoidismo secundário compensatório) pode causar osteopenia (conteúdo mineral do osso diminuído) ou osteoporose (fraqueza óssea e risco de fraturas aumentado).
  • Uma pequena proporção (10%) possui coagulação anormal devido à deficiência de vitamina K, e podem estar propensos a desenvolver sangramentos anormais.
  • A doença celíaca também é associada a um supercrescimento bacteriano do intestino delgado, o que pode piorar a má-absorção ou causar má-absorção após tratamento.

Causas:

A doença celíaca é causada pela ingestão do glúten em indivíduos genéticamente predispostos. Existem fortes evidências de que os alelos HLA-DQ2 ou HLA-DQ8 são os responsáveis a doença. No entanto existem outros genes, não pertencentes ao sistema HLA, que podem determinar a doença mas que poderiam agir, teoricamente, de forma aditiva ou multiplicativa em conjunto com HLA.
Um estudo coordenado por cientistas australianos e publicado pela revista Science Translation Medicine em 21 de julho de 2010 anunciou a identificação de três peptídios que causam a intolerância ao glúten, o que pode facilitar o diagnóstico, prevenção e tratamento da doença.
A doença celíaca tem se relacionado com diversas condições. Em muitos casos não se sabe ainda se a doença celíaca é um fator que causa estas condições ou se elas compartilham uma predisposição comum.
  • Deficiência de IgA está presente em 2% dos pacientes com doença celíaca, e por sua vez esta condição apresenta risco dez vezes maior de doença celíaca. Outras características desta condição são um arisco aumentado de infecções e doença autoimune.
  • Dermatite herpetiforme; essa condição cutânea de coceira tem sido ligado à enzima transglutaminase na pele, apresentando mudanças no intestino delgado idênticas àquelas da doença celíaca e ocorrendo mais frequentemente (2%) em pacientes com doença celíaca.
  • Associações neurológicas: epilepsiaataxia (problemas de coordenação), mielopatia e neuropatia periférica têm sido relacionados com a doença celíaca.
  • Dificuldades no crescimento e/ou puberdade atrasada no final da infância podem ocorrer sem os sintomas intestinais óbvios e má-nutrição. A avaliação do retardo no crescimento inclui uma análise mais minuciosa de doença celíaca.
  • Aborto espontâneo e infertilidade.
  • Hipoesplenismo (um baço pequeno e pouco ativo) - não se sabe se isso realmente aumenta o risco de infecção em pacientes com a doença celíaca.
  • Outros distúrbios auto-imunes: diabetes mellitus tipo 1tireoidite auto-imunecirrose biliar primária e colite microscópica.

Diagnóstico:

Endoscopia de um duodeno com atrofia de pregas
Diversos exames podem ser realizados para auxiliar o diagnóstico. O nível dos sintomas pode determinar quais testes devem ser realizados, mas todos exames perdem sua utilidade se o paciente já estiver com uma dieta livre de glúten. As lesões intestinais começam a curar poucas semanas após o glúten ser removido da dieta e os níveis de anticorpos diminuem ao longo dos meses. Para aqueles pacientes que já iniciaram por si próprios uma dieta livre de glúten, pode ser necessário realizar uma nova investigação ao se ingerir 10g de glúten (quatro fatias de pão) por dia 2 a 6 semanas antes de repetir os exames investigatórios. Os pacientes que apresentam sintomas severos (como diarréia) mais precocemente podem ser examinados antes do período de 2 a 6 semanas.

Exames de sangue:
sorologia através de um exame de sangue é útil tanto no diagnóstico de doença celíaca (alta sensibilidade de cerca de 98%, ou seja, o exame não detecta 2 em cada 100 casos) quanto em sua exclusão (alta especificidade de mais de 95%, ou seja, um resultado positivo no exame é muito mais propenso a confirmar uma doença celíaca do que outra condição). Devido às maiores implicações do diagnóstico da doença celíaca, recomenda-se aos profissionais que após um resultado positivo no exame de sangue ainda seja realizada uma endoscopia complementar. Um resultado negativo no exame ainda pode fazer com que seja necessária uma biópsia, no caso da suspeita ser muito grande. A biópsia abrangeria os 2% restantes dos casos não-diagnosticados, assim como oferecer explicações alternativas para os sintomas. Dessa maneira, a endoscopia com biópsia ainda é considerada o padrão ouro no diagnóstico da doença celíaca.
Há exames sorológicos que auxiliam o diagnóstico,como o teste antiendomísio (IgA-EMA), que tem uma especificidade e sensibilidade próxima de 100%, e o teste ELISA que pode detectar a presença de anticorpos anti-transglutaminase (tTG), mas não são suficientes para diagnosticar a doença sozinhos. Nas pessoas com essa doença, a ingestão de glúten provoca danos à mucosa do intestino delgado, dificultando a digestão.

Endoscopia:

O diagnóstico é realizado através de biópsia da mucosa intestinal na sequência de uma endoscopia digestiva, e/ou da resposta à dieta isenta de glúten.

Outros exames:

Outros exames que podem ajudar no diagnóstico são exames de sangue para uma contagem sanguínea completa e medição dos níveis deeletrólitoscálciofunção renalenzimas do fígadovitamina B12 e ácido fólico. Os exames de coagulação (tempo de protrombina e tempo de tromboplastina parcial ativada) podem ser úteis para identificar deficiência de vitamina K, o que torna os pacientes mais suscetíveis a sofrer hemorragias. Estes exames devem ser repetidos durante o acompanhamento da doença, assim como medição dos níveis de anticorpos anti-tTG titres.
Recomenda-se que os profissionais procurem em seus pacientes osteoporose através da técnica DEXA.

Fisiopatologia:
Diagrama mostrando os diferentes estágios da doença celíaca
Acredita-se que a doença celíaca seja causada pela ativação da resposta imune celular (células-T) e humoral (células-B) em resposta à exposição ao glúten em pessoa geneticamente susceptível. Apesar de ser frequentemente chamada dealergia ao glúten, a doença celíaca não é causada por processo alérgico, masautoimune. A lesão característica da doença celíaca é a atrofia da mucosa do intestino delgado, levando ao prejuízo na absorção dos nutrientes, vitaminas, sais minerais e água.
As mudanças patológicas clássicas do intestino delgado são categorizadas através da "classificação Marsh":
  • Estágio Marsh 0: mucosa normal
  • Estágio Marsh 1: número aumentado de linfócitos intra-epiteliais, geralmente mais de 20 a cada 100 enterócitos
  • Estágio Marsh 2: proliferação das criptas de Lieberkuhn
  • Estágio Marsh 3: atrofia completa ou parcial das vilosidades
  • Estágio Marsh 4: hipoplasia da arquitetura do intestino delgado
As mudanças geralmente melhoram ou são revertidas após o glúten ser removido da dieta, devendo ser realizada diversas biópsias meses (4 a 6) após o início da exclusão do glúten.

Tratamento:

  trigo é a principal fonte de glúteina natureza

Dieta -

Atualmente, o único tratamento efetivo é uma dieta estritamente sem glúten, por toda a vida. Noventa por cento dos pacientes que são tratados com a dieta livre de glúten apresentam melhora dos sintomas em 2 semanas. Não existem medicamentos que previnam os danos, nem que previnam o corpo de atacar os intestinos quando o glúten estiver presente. A aderência estrita à dieta permite que os intestinos se curem, com a regressão completa da lesão intestinal e resolução de todos os sintomas na maior parte dos casos. Dependendo de quão cedo a dieta começar, ela também pode eliminar o risco aumentado de osteoporose e de câncer intestinal. O acompanhamento de umnutricionista é geralmente requisitado para garantir que o paciente esteja consciente de quais os alimentos que possuem glúten, quais os alimentos que são seguros e como ter uma dieta equilibrada apesar das suas limitações. Em muitos países estão disponíveis produtos livres de glúten sob prescrição médica e podem ser reembolsados pelos planos de saúde. Cada vez mais fabricantes produzem produtos livres de glúten, alguns dos quais possuem sabor e aparência quase indistinguíveis de seus originais.
A dieta pode ser incomoda. Enquanto as crianças pequenas podem obedecer aos pais, os adolescentes podem desejar esconder seu problema ou rebelar-se contra as restrições da dieta, podendo ter uma recaída. Muitos produtos contêm traços de glúten mesmo que sejam aparentemente livres de trigo. Os produtos livres de glúten são geralmente mais caros e difíceis de encontrar do que os alimentos que contêm trigo.


Por isso, uma boa opção para os celíacos é a substituição das farinhas comuns pelas de arroz e feijão branco, por exemplo.


Mesmo com a dieta, a qualidade de vida relacionada à saúde pode ser diminuída nas pessoas com doença celíaca. Alguns possuem sintomas digestivos persistentes ou dermatites herpetiformes, úlceras na boca, osteoporose e fraturas. Podem estar presentes sintomas sugestivos de síndrome do intestino irritável, e existe uma taxa aumentada de ansiedade, fadiga, dispepsia e dor musculoesquelética.

Doença refratária:

Uma pequena minoria dos pacientes sofrem de doença refratária, o que significa que eles não melhoram com uma dieta livre de glúten. Isto pode acontecer porque a doença está presente há tanto tempo que os intestinos não são mais capazes de se curarem sozinhos com a dieta, ou porque o paciente não está aderindo à dieta, ou porque o paciente está consumindo comidas que são contaminadas com glúten. Se as causas alternativas forem eliminadas, esteróides ou imunosupressores (como a azatioprina) podem ser considerados neste cenário.

Condições associadas:

A doença celíaca pode estar associada a outras condições:
  • câncer - há maior risco de linfoma não-Hodgkinadenocarcinoma do intestino delgado e carcinoma de células escamosas esofágico ou orofaríngeo;
  • osteoporose;
  • redução na fertilidade;
  • outras doenças autoimunes - especialmente diabetes tipo 1, hepatite autoimune, tireoidopatia e síndrome de Sjögren;
  • dermatite herpetiforme;
  • linfoma MALT.





terça-feira, 24 de maio de 2011

DIA DO DESAFIO!


Veja mais em:
O Dia do Desafio foi criado no Canadá e é difundido Mundialmente pela The Association For International Sport for All (TAFISA), entidade de promoção do esporte para todos, sediada na Alemanha.
É uma campanha de incentivo à prática regular de atividades físicas em benefício da saúde e acontece anualmente na última quarta-feira do mês de maio, por meio de ações comunitárias. O SESC SP coordena o evento no Continente Americano desde 2000.
O convite à atividade física se estende a todos, envolvendo o poder público de cada cidade, as instituições da sociedade civil, empresas, voluntários locais e os próprios participantes.

HISTÓRIA:
Durante o rigoroso inverno canadense de 1983, quando a temperatura chegava aos 20 graus negativos, o Prefeito sugeriu uma ação que necessitava da colaboração de todos. A ideia propunha que, às 15 h, todos apagassem as luzes, saíssem de casa e caminhassem durante 15 minutos ao redor do quarteirão mais próximo. Era um convite ao exercício do corpo.
Além de estimular a realização de atividade física, a iniciativa ocasionou a economia de energia que pôde ser calculada pelo número de pessoas envolvidas na atividade. No ano seguinte, a experiência foi compartilhada com a cidade vizinha e ambas realizaram a caminhada juntas, na mesma data e horário. Estava lançado o espírito que definiria o programa do Dia do Desafio.
A ideia teve sequencia e o Dia do Desafio passou a ser realizado todos os anos na última quarta-feira do mês de maio, em todo o mundo, e cresce em número de cidades e em total de participantes. Em 2010, o evento completou 15 anos no Brasil e tem oferecido a oportunidade de mobilização coletiva em torno da atividade física para pessoas do Continente Americano.
A mobilização organizada de cidadãos para o enfrentamento de situações inesperadas deve fazer parte da pauta de formação de uma cultura de solidariedade e cidadania para cidades de todos os tamanhos. Isto pode ser mais eficaz quando feito desde cedo, na infância, de maneira lúdica, agregando esses valores ao longo de todo o desenvolvimento do indivíduo até a velhice.
Uma maneira de exercitar e enraizar essa atitude preventiva é estimular constantemente o envolvimento do maior número de indivíduos em simulações coletivas de amplitude social, preferencialmente, com ações prazerosas. Os esportes e desafios físico-esportivos demonstram ter potencial elevado neste sentido. É desejável ainda que esta semente seja levada para o cotidiano das pessoas por seus benefícios para a qualidade de vida e bem-estar.
Desde 1995 o SESC São Paulo assumiu a coordenação do Dia do Desafio para o Continente Americano confiando na capacidade de aglutinação dos diferentes agentes sociais em torno de valores como cooperação, convivência e movimentação em prol da realização de objetivos determinados.
Deste modo, o Dia do Desafio 2012 apresenta nova oportunidade de exercitar essa dimensão cultural de enraizamento dos conceitos de mobilização e participação associados às práticas físico-esportivas que, ao longo dos anos, vêm consolidando com criatividade e renovado empenho a ampliação de uma rede de cidades e pessoas engajadas no aprimoramento de uma vida mais saudável.
Danilo Santos de Miranda - Diretor Regional do SESC São Paulo

Sob um olhar macro, os valores econômicos, as questões políticas e as manifestações culturais alavancam o desenvolvimento, influenciando na formação de sociedades mais igualitárias. Sob o foco micro, o capital humano torna-se o recurso mais valioso para promover a evolução e a qualidade de vida.
Entender o mecanismo para gerar o desenvolvimento sustentável da sociedade é simples quando aceitamos que o coletivo é mais importante que o individual, que a preservação é mais saudável que o desperdício, que o acolhimento é melhor que o abandono.
O ser humano, em sua complexa constituição, precisa ter acesso à saúde, educação, cultura, lazer e, somente com este equilíbrio entre o necessário e o tangível chegará a um grau de estabilidade para compor uma sociedade harmoniosa.
Acredito no aprimoramento do capital humano por meio da atividade física e do esporte em todas as suas modalidades. Revestido de paixão, o esporte cria e recria em crianças e adultos conceitos de coletividade e cidadania.
No Dia do Desafio, a atividade física é abalizada pela ética e pela cidadania, valores que constroem uma sociedade melhor, engrandecem o cidadão e fortalecem os laços comuns para promover um desenvolvimento humano realmente sustentável.
Maria Luiza Souza Dias -Coordenadora do Dia do Desafio para o Continente Americano
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

DOR MUSCULAR APÓS EXERCÍCIOS OU TARDIA


DMIT - Quem já não sentiu dores musculares depois de fazer exercícios, principalmente quando se inicia uma atividade física? Ou depois de mudar algum programa de treinamento?  

Todos os praticantes de atividade física e de esportes em geral, e até mesmos os indivíduos sedentários já tiveram alguma vez na vida uma Dor Muscular de Início Tardio (DMIT), principalmente após a execução de um padrão de movimento diferente daquela ao qual estão acostumados. A dor muscular tardia é caracterizada pela sensação de desconforto na musculatura esquelética que ocorre algumas horas após a prática da atividade física. A dor costuma não se manifestar até aproximadamente 8 horas após o exercício, aumentando a intensidade nas primeiras 24 horas e alcançando seu máximo de intensidade entre 24 72 horas (TRICOLI, 2001). A dor muscular, assim como o dano muscular provocado pelo exercício físico, pode ocorrer em diferentes magnitudes, dependendo do tipo de contração, mas com ênfase nas ações de contração musculares excêntricas, aquelas que ocorrem durante o alongamento das musculaturas envolvidas no gesto motor (FOSCHINI, PRESTES, CHARRO, 2007). Segundo ALBERT (apud NETO, PREIS, 2005), nos últimos anos nenhum outro aspecto de carga muscular tem sido mais descrito, discutido ou investigado na literatura cientifica e prática clínica do que o movimento excêntrico. A contração excêntrica também está relacionada intimamente com a lesão muscular, pois são elas que provocam microrrupturas nas fibras musculares (CLEBIS, NATALI, 2001). Nestas pequenas lesões também ocorre um aumento de enzimas, que em estudos, também defendem que seria uma das causas da ruptura do tecido muscular. Várias são as teorias para a dor muscular, mas quase todas elas citam que há um aumento significativo dos leucócitos, pois são eles que atuam na defesa de materiais estranhos que entram no corpo, migrando até o tecido afetado. No tecido afetado monócitos se tornam macrófagos e são responsáveis pela remoção de tecido necrótico. Também há um aumento de glóbulos brancos, o que sugere uma inflamação, que é uma resposta aos exercícios realizados (WILMORE, COSTILL, 2001). Outra lesão que ocorre em quase todos os estudos da revisão literária, é o rompimento e alteração da linha Z. Dessa forma, este pequeno artigo, tem como finalidade relacionar algumas causas fisiológicas da dor muscular tardia e relacionar alguns danos e lesões musculares causados pelo exercício físico. 

A dor tardia é, quase sempre, inevitável tanto para iniciantes como para atletas! 
Mas o importante é saber até que ponto ela é considerada aceitável ou se é devido a uma agressão excessiva ocorrida por uma atividade física ou treinamento muito intenso (carga) ou muito volumoso (tempo) ou ainda muito denso (intensidade alta em curto espaço de tempo. Ou seja, se é uma dor normal ou se está se tornando maléfica.
É importante salientar que não existem ainda, mecanismos eficazes para auxiliar na quantificação ideal dos estímulos para este ou aquele indivíduo. Normalmente uma entrevista inicial muito bem dirigida pelo professor, para levantamento de informações acerca do praticante, e, as corretas aplicações das metodologias didáticas e científicas e ainda se possível for, uma avaliação física/funcional prévia, minimizam em muito as possibilidades da ocorrência da dor tardia. Mas, nossa experiência prática, mostra que,  isso pode não ser o suficiente!
E que, mesmo devidamente orientado, os programas aplicados pelos Profissionais de Educação Física, podem sim causar a Dor Tardia. E que isso, por si só, não significa necessariamente que os estímulos foram aplicados de forma INADEQUADA! E que a Dor não é Normal!

Desta maneira é muito comum, após ficamos por bastante tempo sem praticar exercícios e voltamos a praticá-los, ou quando começamos uma nova rotina de exercícios, com padrões de movimentos diferentes, amplitudes diferentes, ritmos diferentes,  uma grande maioria de nós experimentar uma dor e rigidez nas articulações e nos músculos exercitados. 
Atividades físicas incomuns ou atividades que não estamos acostumados causam dor surda (contínua e de baixa intensidade) no músculo, mas o que seria esta dor e como ela é gerada?

O que é a dor?

Sobre a Dor

"Dor é uma sensação desagradável, que varia desde o desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional."

A dor é mais que uma resposta resultante da integração central de impulsos dos nervos periféricos, ativados por estímulos locais. De fato a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão real ou potencial, ou descrita em termos de tal (definição da Associação Internacional para o Estudo da Dor - IASP). 

A avaliação da INTENSIDADE DA DOR é sempre SUBJETIVA. Cada indivíduo aprende a aplicação da palavra através de experiências relacionadas com SENSAÇÕES E LESÕES nos primeiros anos de vida. Sabemos porém que os estímulos causadores de dor são capazes de lesão tecidual. Assim, a dor é aquela experiência que associamos com lesão tecidual real ou potencial.
Sem dúvida é uma sensação em uma ou mais partes do organismo e quase sempre é desagradável, e portanto representa uma experiência emocional.

A abordagem que se faz da dor, atualmente, é que ela é um fenômeno ‘biopsicossocial’ que resulta de uma combinação de fatores BIOLÓGICOS, PSICOLÓGICOS, COMPORTAMENTAIS, SOCIAIS e CULTURAIS.

Temos assim o Limiar de dor Fisiológico, que é estável de um indivíduo para o outro, e pode ser definido como o ponto ou momento em que um dado estímulo é reconhecido como doloroso.
E ainda o Limiar de Tolerância, que é o ponto em que o estímulo alcança tal intensidade que não mais pode ser aceitavelmente tolerado.
E a Resistência à Dor seria a diferença entre os dois liminares. Ela expressa a amplitude de uma estimulação dolorosa à qual o indivíduo pode aceitavelmente resistir. E é também modificada por traços culturais e emocionais. E o nosso sistema límbico modula a resposta comportamental que daremos à esta dor. 

Isto quer dizer que para um mesmo estímulo doloroso, as pessoas sentirão uma intensidade diferente para a Dor! Será Suportável para alguns e Insuportável para outros. 

Para efeito de classificação médica a dor é dividida em duas categorias: As AGUDAS, que têm duração limitadas e causas geralmente conhecidas, e as CRÔNICAS, que duram mais de três meses e têm causas desconhecida ou mal definida. Esta última categoria de dor aparece quando o mecanismo de dor não funciona adequadamente ou doenças associadas a ele tornam-se crônicas.

A dor é portanto uma QUALIDADE sensorial FUNDAMENTAL DE ALERTA para a ocorrência iminente ou já desenvolvida, por exemplo de lesões teciduais (sejam de menor ou maior grau), permitindo que mecanismos de defesa ou fuga sejam adotados em tempo, antes que estas lesões sejam ainda maiores. Embora possa parecer estranho, a dor é um EFEITO EXTREMAMENTE NECESSÁRIO! É o sinal de ALARME de que algum dano ou lesão vai ocorrer, está ocorrendo ou já ocorreu. Portanto sentir DOR é sim NORMAL e NATURAL, para estes eventos! 


Não é NORMAL não sentir dores quando algum evento danoso esteja por acontecer, acontecendo ou acontecido!

A dor é um mecanismo de proteção ativado diante da possibilidade de ocorrência, ou após o aparecimento, de lesões, e faz com que o indivíduo reaja para remover o estímulo álgico (de dor). Os receptores da dor são terminações nervosas livres suscetíveis a estímulos mecânicos, térmicos e químicos.
Uma dor temporária (dor aguda) pode persistir por várias horas imediatamente após um exercício extraordinário (não necessariamente forte), enquanto uma dor residual (dor crônica), ou dor Muscular de Início Tardio (DMIT), pode aparecer a seguir e durar por 2 a 4 dias. 
Portanto se você é iniciante, se está sem praticar exercícios há muito tempo, qualquer atividade poderá causar dores musculares no dia seguinte podendo se prolongar até mais dois dias. Isto não é incomum também em indivíduos treinados porém que iniciam algum tipo novo de movimento. 

Possíveis causas da dor:

A(s) causa(s) exata(s) da dor muscular de início tardia ainda é muito controversa entre os pesquisadores. No entanto, segundo Foss (2000), são aceitas basicamente três teorias diferentes:

- Teoria da Ruptura/Laceração Tecidual (A mais aceita): 
Essa teoria propõe que o dano tecidual, como ruptura (lacerações minúsculas) de fibras musculares, ou dano de seus componentes contráteis, pode explicar a mialgia (dor muscular). Especialmente as proporcionadas pela contração excêntrica. A dor muscular de início tardio é causado principalmente pela ação excêntrica e está relacionado a uma lesão muscular real (WILMORE, COSTILL, 2001, p. 97). CLEBIS e NATALI (2001, p.52), através de exercícios excêntricos de treinamento com pesos, definem que: as contrações do tipo excêntricas são frequentemente utilizadas, pois provocam inúmeras microrupturas nas fibras musculares, induzindo a dor, após o treinamento. São essas microlesões as grandes vilãs do treinamento de sobrecarga, uma vez que, além da dor, elas provocam inchaço e aumento da síntese de proteína e, conseqüentemente, a sensação de aumento do tamanho do músculo A relação entre o exercício, dano muscular e os mecanismos fisiológicos responsáveis pela etiologia da DMIT ainda não são completamente conhecidos (FOSCHINI, PRESTES, CHARRO, 2007). As primeiras teorias propuseram dano físico causado pelo aumento da tensão no aparelho contrátil (estresse mecânico), acúmulo de produtos metabólicos tóxicos (estresse metabólico), dano estrutural aos tecidos causado pelo aumento da temperatura muscular e controle neuromuscular alterado produzindo espasmos (que por sua vez causaria a dor) como os possíveis fatores da DMIT. Essas observações fez que investigadores, sugerissem que a dor muscular é resultante portanto de reações inflamatórias do músculo, mas tem sido difícil estabelecer a ligação entre essas reações e a dor muscular. A inflamação é uma resposta ao exercício realizado, caracterizada pela movimentação de fluidos, de proteínas plasmáticas e de leucócitos, em direção ao tecido afetado (MACINTYRE,D.L.,1995 apud TRICOLI, 2001). A presença de muitas respostas semelhantes ao processo inflamatório como inchaço local, elevação na contagem de glóbulos brancos e acúmulo de monócitos e linfócitos levou Smith (apud TRICOLI, 2001) a sugerir que uma resposta inflamatória aguda era a explicação para a sensação de dor muscular 24 horas após o exercício. No tecido danificado monócitos se tornam macrófagos e são responsáveis pela remoção de tecido necrótico. Estudos mais recentes estão começando a estabelecer uma relação entre a dor muscular e a inflamação, exemplo disso é que atualmente se reconhece que substâncias liberadas do músculo lesado podem agir como hormônios da lesão, iniciando o processo inflamatório;

- Teoria do Espasmo:
Nesta teoria, são sugeridos três estágios de ação: (a) o exercício produz isquemia (falta de suprimento sanguíneo) dentro dos músculos ativos; (b) a isquemia resulta acúmulo de alguma "substância dolorosa" desconhecida que estimula as terminações nervosas no músculo responsáveis pela percepção da dor; e (c) a dor desencadeia um espasmo muscular reflexo que causa mais isquemia, e o ciclo todo se repete;

- Teoria do Tecido Conjuntivo: 
Essa teoria sugere que os tecidos conjuntivos, incluindo fáscias e tendões, também são lesados durante a contração, causando assim dor local. Convém lembrar que, durante as contrações excêntricas (a fase negativa do movimento), o músculo alonga-se sob tensão, distendendo assim os elementos do tecido conjuntivo associados tanto aos tendões, fáscias e fibras musculares;

Já McArdle (1998), cita as três teorias de Foss e complementa com mais três:

- Alterações na pressão osmótica que causam retenção de líquidos nos tecidos circundantes:
Esta pressão maior estimula as terminações nervosas próxima do músculo responsáveis pela percepção da dor.

- Alteração no mecanismo celular para a regulação do cálcio:
Ou seja, as alterações no pH, nos níveis dos fosfatos de alta energia, no equilíbrio iônico ou na temperatura observadas com um exercício incomum podem produzir grandes alterações na estrutura e função do retículo sarcoplasmático. Isso resulta em uma depressão no ritmo de captação de Ca2+ assim como em sua velocidade de liberação, produzindo um aumento na concentração de Ca2+ livre quando penetra rapidamente no citosol (líquido que preenche o citoplasma, espaço entre a membrana plasmática e o núcleo) das fibras lesadas. Essa sobrecarga de Ca2+ intracelular pode contribuir para o processo autolítico (auto degeneração), que degrada as estruturas com e sem potencial contrátil dentro do músculo lesado. Isso é responsável por uma redução na capacidade de produzir força e por uma eventual dor muscular;

- Uma combinação de dois ou mais fatores acima citados:

A causa exata da dor muscular é desconhecida, porém o grau de desconforto depende em grande parte da intensidade, duração do esforço e do tipo de exercício realizado. Não é a força muscular absoluta propriamente dita, mas sim a magnitude da sobrecarga ativa imposta a uma fibra muscular que desencadeia o dano muscular e a dor resultante (MCARDLE et al., 1998).

A Dor durante os exercícios (Dor Aguda): 



Este tipo de dor muscular que como o nome indica, ocorre durante e imediatamente após o período de exercício, é considerado como associado à falta de um fluxo sanguíneo suficiente (isquemia) para os músculos ativos.

Segundo Foss (2000), com base em estudos, chegou-se às seguintes conclusões acerca da dor muscular aguda:

- A dor muscular durante as contrações ocorre quando a tensão gerada é suficientemente intensa para gerar oclusão do fluxo sanguíneo para os músculos ativos (isquemia).
- Por causa da isquemia, os produtos da atividade metabólica, tipo ácido lático e potássio, não podem ser removidos e, dessa forma, acumulam-se até o ponto de estimularem os receptores dolorosos localizados nos músculos.

- A dor persiste até que seja reduzida a intensidade da contração ou que esta cesse totalmente - restaurando o fluxo sanguíneo e fazendo com que os produtos metabólicos de desgaste possam ser removidos.

A queimação percebida durante a execução do exercício, principalmente com repetições elevadas, é relacionada à falta de oxigênio e conseqüente queda de pH, pois o acúmulo de íons de hidrogênio provoca acidose e estimula os receptores de dor, os quais sinalizam para a interrupção do exercício antes que ocorram lesões no tecido muscular. Mas este mecanismo é transitório e não responde pela dor muscular tardia, pois a acidose é rapidamente revertida por um sistema de tamponamento que trabalha para manter o pH dentro dos limites fisiológicos.

A dor aguda, embora possa importunar, não constitui um grande problema, pois é de curta duração e desaparece quando se suspende o exercício. O problema mais sério é a dor muscular de início tardio (DMIT), que é a dor e mialgia que ocorrem num período de 24 a 48 horas após o término das sessões de exercícios, podendo ser estender por ainda mais tempo.

Dor muscular tardia (Dor Crônica):



As experiências destinadas a induzir a dor muscular tardia constataram que o grau de DMIT (dor muscular de início tardio) está relacionado ao tipo de contração muscular realizada. Em estudo utilizando contrações isotônicas, concêntricas e excêntricas, e isométricas, constatou-se que a dor muscular (mialgia) era mais pronunciada após as contrações excêntricas e menos intensa após as contrações isotônicas. A dor observada após as contrações isométricas era apenas ligeiramente maior que após as contrações isotônicas, porém, ainda eram consideravelmente menor àquela observada após as contrações excêntricas. Além disso, em todos os casos, a dor era demorada, podendo atingir um período de 24 a 48 horas após o exercício.
O treinamento com pesos pode induzir lesões nos tecidos musculares e conjuntivos. Diante uma lesão tecidual, inicia-se o processo inflamatório caracterizado pela vasodilatação local com aumento do fluxo sangüíneo na região, e aumento da permeabilidade capilar com vazamento de líquido para o espaço intersticial. Diversos fatores envolvidos no processo inflamatório, estimulam os receptores de dor, provocando o incômodo verificado em decorrência das lesões, o que ainda poderá ser visto nos dias seguintes a uma sessão de treinamento intensa. Deste modo vemos que a dor pode ser iniciada pela lesão, mas sua causa são os mecanismos inflamatórios; desta forma não há relação temporal entre a sensação de dor e os danos teciduais (CLARKSON et al., 1992).
Lembrando que a dor (aguda ou crônica) não é necessariamente um sinal de um trabalho eficaz.

Acido Lático causa dor muscular?

Muito se vem pesquisando sobre as causas das dores musculares, e algumas pessoas dizem que o vilão da história é a ácido láctico, porém já foi comprovado cientificamente que o lactato não é o causador da dor muscular tardia.
Segundo Cailliet (1979), o acúmulo de metabólitos irritantes é ainda considerado a causa da dor muscular, mas o metabólito especifico ainda não foi identificado. A idéia previamente considerada, de que o ácido láctico e o ácido pirúvico eram o fator, já foi refutada completamente porque exercícios isquêmicos em pacientes com ausência hereditária de fosforilase muscular (síndrome de McArdle) desenvolveram dor grave, mais do que a média, e o ácido lático não é produzido nestes indivíduos.

Segundo McArdle et al. (1998), alguns estudos revelaram que a dor muscular era considerada maior quando o exercício envolvia uma solicitação alta e repetida durante o alongamento ativo nas contrações excêntricas que quando envolvia contrações concêntricas e isométricas. Esse efeito não se correlacionava com o acúmulo de lactato, pois a corrida de alta intensidade num plano horizontal (contrações concêntricas) não produzia qualquer dor residual, apesar das elevações significativas no lactato sanguíneo. A corrida num plano em declive (contrações excêntricas), por outro lado, causava um grau de moderado a intenso de dor muscular de inicio tardio, sem qualquer elevação de lactato durante o exercício. A corrida em declive produzia aumentos correspondentes nos níveis séricos (no sangue) das enzimas musculares específicas, creatina-cinase (CK) e mioglobina (Mb), que são ambas marcadores usados comumente para lesão muscular - (existe também uma maior mobilização de leucócitos e neutrófilos, os quais estão associados com o processo de inflamação aguda).

E se, você é iniciante, se está sem praticar exercícios há muito tempo, qualquer atividade física, muito provavelmente, irá causar dores musculares no dia seguinte, podendo se prolongar por até mais dois dias.  Ou até mesmo se você já é praticante de alguma modalidade e está mudando um gesto motor, um movimento diferente está sendo acrescentado, ou uma amplitude de movimento maior está sendo imposta, possivelmente a dor aparecerá. Costumo dizer que "quebramos" a Homeostase e agora o organismo precisa de um tempo para se recuperar, regenerar, adaptar aos novos esforços e movimentos. Entrar novamente em Homeostase ou seja em equilíbrio!

Esclarescendo:
Homeostase: (ou Homeostasia) é a propriedade de um sistema aberto, em seres vivos especialmente, de regular o seu ambiente interno para manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico controlados por diferentes mecanismos de regulação interrelacionados. Ocorre a todo  momento. Portanto é um estado de equilíbrio instável. Estamos sempre “quebrando” esta homeostase e o organismo está sempre tentando recuperá-la!
O termo foi criado em 1932 por Walter Bradford Cannon a partir do grego homeo similar ou igual, stasis estático.

Resumindo: No sistema muscular, durante as contrações intensas poderá ocorrer microrrupturas nos grupos musculares solicitados durante o exercício e ainda, com mais o acúmulo de metabólitos, poderá gerar no organismo um processo de defesa, que deverá levar a um processo inflamatório. Foi "Quebrada" a Homeostase neste sistema. Aí vem as Dores! Maiores ou Menores!
Se você fizer o mesmo treino por um determinado período (em média de 2 a 3 meses) o seu organismo irá se adaptar aos exercícios e esta dor irá desaparecer aos poucos. Foi restabelecida a Homeostase!

Mas sempre que você fizer exercícios físicos ou atividades físicas diferentes, um exercício novo, por exemplo, ou aumentar a intensidade ou volume dos exercícios que já está fazendo, aumentar a sua amplitude de execução,  ou ainda ficar um tempo sem fazer os exercícios e voltar a fazê-los (os mesmos) proporcionando novos estímulos ao corpo, esta dor poderá reaparecer!
E  isto, provavelmente, não deverá  ao fato de você ter feito o exercício, o Programa, ou o Treinamento Errado!

Os treinos mais intensos darão maior probabilidade a que isto aconteça, por isso os atletas também aprendem a conviver com a dor e evitar lesões. Não é que seja preciso sentir dor para fazer exercícios, e que estes surtam efeito, aliás, se você sente dor durante o exercício é sinal de que está forçando além do que deve ou que já é hora de parar e diminuir o ritmo ou a intensidade do exercício.

Agora, tudo depende do seu objetivo. Se você quer melhorar a sua Performance, Aumentar a massa muscular e melhorar o seu condicionamento cardiorespiratório deverá trabalhar progressivamente com os seus limites e assim com treinos mais intensos,  podendo sim, causar estas dores musculares nos dias seguintes ao exercício executado.

Como podemos prevenir a dor?

Para prevenir a dor muscular, propõe-se:

- Alongar, pois o alongamento (leve estiramento) parece ajudar não apenas na prevenção da dor, mas parece permitir também o seu alívio, quando presente. Entretanto, os exercícios de alongamento devem ser realizados lentamente e gradualmente, sem movimentos bruscos ou balísticos (com insistência), pois isso poderia lesar ainda mais os tecidos conjuntivos. Então muito cuidado ao alongar!
- Uma progressão gradual na intensidade do exercício em geral ajuda a reduzir a possibilidade de dor muscular excessiva. Essa progressão, em um programa de treinamento com pesos, implica a utilização de pesos relativamente leves no início do programa, com amplitudes menores de movimentos e ir aumentando gradativamente as cargas e os arcos à medida que se conseguem maiores facilidades na execução. 

- Segundo Foss (2000), foi sugerido que a ingestão de 100 mg diários de vitamina C (cerca do dobro da dose) por um período de 30 dias prevenirá ou pelo menos reduzirá a dor muscular subseqüente. Entretanto, a eficácia do consumo de vitamina C ainda não foi comprovada por meio da experimentação científica. 

Segundo McArdle et al. (1998), ainda mais importante, uma única sessão de exercício exerce um efeito profilático significativo sobre o surgimento da dor muscular no exercício subseqüente, e esse efeito parece durar por até seis semanas.

Em caso da dor do dia seguinte, a principal medida a ser tomada durante o treinamento é reduzir a carga ou a intensidade e a amplitude do exercício nas próximas sessões de treino ou ainda procurar treinar outros grupos musculares, entretanto, se a dor for muito incômoda e limitante, a interrupção dos treinos se faz necessária para permitir ao organismo uma recuperação ótima da região lesionada. Fazer compressas de gelo pode ajudar a diminuir a inflamação nos músculos e conseqüentemente as dores.

Reserve um tempo para executar alongamentos leves ou solturas depois dos exercícios, pois estes também parecem ajudar a relaxar a musculatura depois do esforço dando uma sensação de maior conforto. Respeite o período de repouso, não treinando o mesmo grupo muscular em dias seguidos ou alternando atividades intensas com atividades mais leves em dias seguidos. Se estiver com muita dor não treine. Descanse!
Contudo, caso a dor seja insuportável, o mais indicado é consultar um médico para realizar exames detalhados a cerca da dor, e se necessário a prescrição de um anti-inflamatório, relaxante muscular ou outro medicamento.


Conclusão:

Assim, quem faz qualquer tipo de atividade física ou pratica algum esporte, já está acostumado com dois tipos de dores, também conhecidas como musculoesqueléticas. Uma, mais ou menos aguda, e acontece no final de uma série ou durante as pausas, estando mais relacionadas com os produtos metabólicos finais que ocorrem durante a contração muscular e costuma desaparecer ainda durante a seção de exercícios. 
A outra, a Dor Muscular Tardia, vem nas 24 a 56 horas depois da atividade e apesar de discutida as verdadeiras causas, provavelmente esteja relacionada diretamente com a intensidade, duração de esforço, tipo de exercício realizado e amplitude do movimento.

Desta forma, a maioria dos pesquisadores admitem que a principal causa possa estar relacionada à microtraumatismos e/ou inflamação aguda das fibras musculares, estiramento excessivo do tecido conjuntivo do músculo, alteração no mecanismo celular de entrada e saída de cálcio ou ainda, estes vários fatores conjugados. 

Esses resultados confirmam a conveniência de iniciar um programa de treinamento com um exercício ligeiro (leve e com uma única sessão), para se proteger contra a dor muscular que, quase certamente, acompanhará uma sessão inicial de exercícios pesados que contenha um componente excêntrico. Entretanto, até mesmo um exercício anterior de menor intensidade dos músculos específicos não proporciona proteção completa contra a dor subseqüente observada com um exercício mais intenso (MCARDLE, 1998).
Assim, verificamos que, o estudo da dor que se origina no sistema neuro-músculo-esquelético ainda não está completamente esclarecido em todas as suas ramificações.E que nenhuma teoria é universalmente aceita e nenhum conceito confirma qualquer essência patológica dolorosa específica. 


Quero portanto, reiterar  minha posição, e isso é uma opinião pessoal, de que, a Dor Muscular Tardia, muito provavelmente não tenha relação com aplicação Inadequada da Atividade Física, Treino ou Programa de Exercícios Físicos.
Cabe, sim ao profissional de Educação Física, quando por ele supervisionado o treinamento, atividade ou exercício, modular da melhor maneira possível os estímulos (estresses) anteriores, para tentar reduzir sobremaneira ou evitar a dor Muscular de Início Tardio, ou os posteriores, para mais rapidamente recuperar o Praticante/Aluno e assim não correr o risco de acentuá-la ou até lesionar efetivamente alguma estrutura.



Referências Bibliográficas:
CAILLIET, René. Tecidos Moles: Dor e Incapacidade. São Paulo. Manole, 1979.
CLARKSON P.M., NOSAKA K., BRAUM B. Muscle function after exercise-induced muscle damage and rapid adaptation, Medicine and Science in Sports and Exercise. Vol.24, n°5, p:512-520, 1992.
FOSS, M.L.; KETEYIAN, S.J. Bases Fisiológicas do Exercício e do Esporte. 6ª ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2000.
GENTIL, Paulo. Bases Científicas do Treinamento de Hipertrofia. Rio de Janeiro: Sprint, 2005.
GUYTON, Arthur C. Neurociência Básica: Anatomia e Fisiologia. 2. ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 1993.
MCARDLE, William D.; KATCH, Frank I. e KATCH, Victor I. Fisiologia do Exercício – Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 1998.


Sérgio Nunes é Professor de Educação Física, Instrutor de Musculação e Personal Trainer na Academia Flex (CREF N° 4289-G/Pr)

ATIVIDADE FÍSICA... FAÇA A COISA CERTA! 

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EXCELENTES ATIVIDADES FÍSICAS E ATÉ A PRÓXIMA!



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