MISSÃO:

Profissional especializado em Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida. Sérgio Nunes e sua empresa QualiFis, pretendem desenvolver junto aos seus alunos e clientes a ideia da verdadeira Saúde, que obviamente não é apenas a ausência de doença, mas também o Encantamento com a Vida, dotando-os de um entendimento adequado de se Priorizar, de compreender que vale a pena Investir no seu Potencial de Ser, através do investimento na melhoria da Qualidade de Vida, aprimorando a saúde e usando como meio, a Atividade Física, em suas mais diferentes possibilidades.

“As informações, dicas e sugestões contidas nesse blog têm caráter meramente informativo, e não substituem o aconselhamento individual e o acompanhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física.”

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

POR QUE ADOECEMOS?

ASSISTA AO VÍDEO NO FINAL DA PUBLICAÇÃO
O que é a enfermidade? 


Doença, (do latim dolentia, padecimento) designa em medicina e outras ciências da saúde um distúrbio das funções de um órgão, da psiqué ou do organismo como um todo que está associado a sintomas específicos. Incomodo físico ou moral.
Pode ser causada por fatores externos, como outros organismos (infecção), ou por desfunções ou mal funções internas, como as doenças auto imunes. A patologia é a ciência que estuda as doenças e procura entendê-las.
Resulta da consciência da perda da homeostasia de um organismo vivo, total ou parcial, estado este que pode cursar devido a infecçõesinflamaçõesisquemias, modificações genéticas, sequelas de traumahemorragiasneoplasias ou disfunções orgânicas. O dano patológico pode ser estrutural ou funcional.
É uma ação de todo o corpo para eliminar escórias, mucos e toxinas.
Saúde não é tudo. Mas, sem saúde, o tudo é nada. Nem o trabalho, nem a recreação... a vida não têm muita graça quando estamos doentes. Não é assim?

Contudo não ter doença manifestada não significa ser saudável! 


E o que é saúde? 

A OMS (Organização Mundial de Saúde) diz que é o perfeito bem estar físico, mental, social e espiritual. Explicando melhor, eu acrescentaria que saúde é o perfeito funcionamento de todas as partes de nosso ser - corpo, mente e espírito - numa harmonia comparável ao desempenho de uma complicada máquina de precisão ou então a uma orquestra sinfônica de harmonia perfeita, regida por um maestro talentoso: nosso sistema nervoso central (SNC). Este sistema nervoso possui um modelo (que foi desenvolvido e aprimorado ao longo de toda a nossa evolução) de como deve ser nosso organismo com saúde e procura constantemente realizar este modelo.


E aí vem a pergunta: Então por que ficamos doentes?

As causas são diversas, porque há vários grupos de doenças: Doenças congênitas, doenças degenerativas e doenças psicossomáticas.

- Doenças congênitas: as causas são, muitas vezes, desconhecidas. Às vezes, são os acidentes de parto, doenças venéreas dos pais, doenças da mãe ou uso de fumo, álcool, drogas ou medicamentos inadequados durante a gravidez. Podem também ser herdadas, especialmente quando os pais são parentes chegados. Em muitos casos, não se consegue uma cura. Os esforços das medicinas serão no sentido de compensar o estado do doente e levá-lo às melhores condições de vida possíveis. Por isto, é tão importante que os jovens se preparem conscienciosamente para o casamento e a paternidade.

- Doenças degenerativas: a causa é a violação das leis da saúde. Se a pessoa nasceu com saúde, seu corpo funcionando perfeitamente e depois aparecem doenças, é porque as leis que a mantém em ordem foram violadas. Se uma máquina fotográfica, uma máquina de lavar ou um automóvel têm leis, é claro que nosso corpo também as tem. Porém, o corpo humano é uma máquina viva. Portanto, ele consegue compensar, corrigir os erros de manutenção, por algum tempo. 
Então, pensamos que podemos continuar a praticar os “maus hábitos”, porque não sentimos imediatamente os efeitos dos maus-tratos que lhe demos. 

Você abastece seu carro com o combustível adequado, mas não se pergunta se sua comida é adequada para manter sua vida. Você põe na sua máquina de lavar a quantidade exata de roupa e sabão, mas você não se importa em sobrecarregar seu estômago com comida inadequada ou morta, nem sua mente com ansiedade e trabalho em excesso. Você mantém sua impressora em uso constante para não secar a tinta, mas você deixa de se exercitar, até que  correr 10 metros ou subir um lance de escadas lhe deixe ofegante. 

Percebe? 
E seu corpo vai compensando tudo isto. Até que um dia ele dá um aviso: - "assim não dá mais. Cuide melhor de mim". Isto pode acontecer através de uma febre, uma diarréia ou uma erupção de pele: são as doenças agudas.

Na realidade, toda doença aguda é um esforço do nosso organismo para se libertar das matérias tóxicas que nele se acumulam, às vezes durante dezenas de anos, por causa da falta de cuidado com as suas leis. 
Se você não compreende a advertência, mas apenas engole um comprimido para ficar livre do incômodo e continua abusando das suas reservas de energia, seu organismo acaba desistindo de lutar e a doença toma conta dele.

O sistema imunológico, responsável pelas auto-defesas, se enfraquece a tal ponto que não consegue mais combater as bactérias, fungos, vírus ou células malignas (mutantes) e a pessoa se torna vítima de toda sorte de infecções, alergias e outras doenças decorrentes de deficiência imunológica: doenças crônicas.

Em seu estado normal de saúde, o organismo consegue se defender naturalmente destes ataques ou desafios. Aliás, isto só o fortalece pois os germes estão por toda parte, mas nem todos pegam uma gripe ou pneumonia. As células malignas estão presentes em todas as pessoas do século XXI, mas nem todas desenvolvem câncer. 

A diferença está no sistema imunológico. Quando este falha, o organismo fica indefeso, portais abertos para todos os agressores: a doença grave se instala. Às vezes ela leva à morte; outras vezes decorre de maneira mais crônica, como na artrite, nas alergias da pele ou nas moléstias do aparelho digestivo. A cura, nestes casos, se apresenta difícil. Se bem que a medicina natural, em muitos casos, consegue reverter o processo, reativando as defesas orgânicas, permanece válida a frase: "Um grama de prevenção vale mais do que um quilo de tratamentos".


- Doenças psicossomáticas: as causas estão na mente, na alma, no sistema nervoso e se refletem sobre o corpo. O termo "psicossomática" é muitas vezes mal compreendido: pensamos tratar-se de doenças imaginárias ou provenientes de mau humor instantâneo ou de vontade de aparecer do doente. Mas a realidade é que estas doenças são muito reais, tão reais como se fossem provenientes da má formação de algum órgão. Elas são resultado da incapacidade da mente de lidar com certo problema: estresse excessivo, emoções negativas, sofrimento excessivo e prolongado, o que transtorna o sistema nervoso central, a ponto de emitir mensagens incoerentes ou exageradas para as diversas partes do organismo.


Na repetição destas ordens, a doença se torna real. Um exemplo bem conhecido é a famosa "úlcera de fundo nervoso". Mas existem muitas outras doenças produzidas ou desencadeadas por falhas do sistema nervoso central, como: a bronquite asmática, a hipertensão arterial, o diabetes, a enxaqueca, as doenças de pele, alguns problemas cardíacos e até o câncer. As pesquisas revelam que entre 70 e 90% de todas as doenças de hoje são de fundo emocional. Imagine o que significaria eliminá-las completamente da nossa vida! - É claro que a vida agitada que as pessoas levam hoje, as predispõe a uma sobrecarga da mente, mas também neste grupo de doenças é válida a conscientização e a prevenção.

"Muito pode ser feito se conhecermos as leis de nossa mente."


Bons hábitos para a preservação da sáude: 


Toda máquina tem suas leis de funcionamento. Nosso corpo é uma máquina e também tem leis, que precisam ser obedecidas se quisermos nos conservar sadios. Aqui estão 8 regras para um viver saudável:


1- RESPIRAÇÃO PROFUNDA - Em lugares despoluídos. Faça exercícios respiratórios pelo menos 3 vezes ao dia. Se morar na cidade, procure um lugar com ar puro aos fins-de-semana. Próximo a árvores o ar é mais puro. Inspire pelo nariz e expire pela boca. Aprenda a respiração abdominal. Colabore com o meio-ambiente, não poluindo o ar com fumaça, inseticidas, aerossóis, etc.



2- EXERCÍCIO FÍSICO DIÁRIO - Nossa musculatura atrofia quando não os fazemos. A circulação se torna morosa, ineficiente. Há desequilíbrio quando usamos muito a mente e pouco o físico. O exercício produz endorfinas, família de hormônios que provocam relaxamento, alegria e abertura para atitudes construtivas. O melhor exercício é a caminhada ao ar livre, a passo rápido, com a coluna ereta, os braços soltos, o abdomen encolhido e respiração profunda. A natação, o ciclismo, a ginástica orientada são outras formas adequadas de exercício. Escolha o que melhor lhe convém. Em caso de dúvida, consulte o seu Professor de Educação Física.



3- REPOUSO ADEQUADO - Adulto: 7 a 8 horas de sono por dia. Quanto mais cedo se iniciar o sono, mais restaurador ele se torna. Jantar cedo e leve, para que a digestão esteja completa antes do sono chegar. Relaxar bem antes de dormir. Deixar as vidraças abertas. É útil um período de descanso de 1/2 a 1 hora no meio do dia; mas não é conveniente dormir após o almoço, para não interromper a digestão.


4- LUZ SOLAR - As plantas morrem aos poucos se não receberem suficiente luz solar. Nós também. Procurar tomar sol logo de manhã, até as 10:00 horas ou após as 15:00 horas; Tomar cuidado com o sol da praia - usar protetor solar e chapéu - especialmente no meio do dia. A luz solar, ao penetrar em nossos olhos, ativa a produção de serotonina, um hormônio que produz serenidade e sono. Além disto aumenta as auto-defesas do nosso corpo. Transforma o excesso de colesterol em vitamina D - necessária para fixar o cálcio e o magnésio nos ossos - ajudando com isto a prevenir a osteoporose.



5- USO INTELIGENTE DA ÁGUA - 1 a 2 banhos por dia, sempre com sabonete de pH neutro. Uma vez por semana esfregue a pele com bucha ou toalha áspera. Termine o banho com ducha fria sempre, mesmo no inverno. Beber de 6 a 8 copos de água pura por dia, entre as refeições, para hidratar, purificar e refrescar o organismo. Caso não tenha acesso a água de poço, de fonte ou mineral, ferva a água, depois agite-a e coloque-a em filtro de barro.



6- REGIME ALIMENTAR - Atente cuidadosamente para a qualidade, quantidade e combinação dos seus alimentos. Eles formam seu sangue e levam nutrição às suas células. Prefira alimentos vegetais, integrais, frescos e se possível de plantio orgânico, preparados de maneira simples. Inicie toda refeição com alimentos crus - frutas ou saladas - na proporção mínima de 50% do total.

7- MODERAÇÃO - Evite todos os excessos, seja no comer, no dormir, no trabalho, no estudo, no esporte, etc. Equilibre a prática das leis de saúde e evite completamente os hábitos nocivos, como o uso de álcool, fumo e drogas. Tente abster-se de uma, duas ou três refeições, uma vez por semana, substituindo-as por sucos de frutas, raízes e caldo de verduras. Isto proporciona um descanso muito benéfico ao seu aparelho digestivo e, ao mesmo tempo, uma mini-desintoxicação diária.

8- ATITUDE MENTAL CORRETA - Não pode haver saúde, se nossa mente for povoada de pensamentos negativos como ódio, inveja, frustração, sentimentos de inferioridade ou de culpa. Aprenda a manter uma atitude positiva, esperançosa, animada e altruísta. Leia bons livros sobre o assunto. Leia uma parte da Bíblia com oração e meditação diariamente. Entregue seus cuidados ao seu Criador, que quer ser seu Pai e se interessa carinhosamente pelo seu bem-estar. Logo você sentirá a ansiedade desaparecer.


Fonte: Texto extraído e adaptado da apostila do curso Preservação e Recuperação da Saúde de Catharina Walzberg - Retiro de recuperação da saúde - Jarinu/SP - 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

TABAGISMO - APAGUE ESTE MAL



1. INTRODUÇÃO


O tabaco tem sido utilizado nas Américas há milhares de anos (desde 1000 AC.), em várias formas e com propósitos culturais diferentes. Em algumas sociedades indígenas, faz parte de ritos religiosos e funciona como forma de exercer autoridade sobre a tribo. Nas sociedades modernas das Américas, o tabaco vem sendo utilizado como estimulante, causando uma melhora no rendimento e no prazer pessoal e social. 
A planta chamada NICOTIANA TABACUM, chegou ao Brasil através da migração dos índios tupis-guaranis sendo que o primeiro contato dos portugueses com a erva foi no seu desembarque aqui. No século XVI seu uso foi disseminado na Europa por Jean Nicot. As folhas desta planta foram inicialmente utilizadas para fumo de cachimbo (séc.XVII), rapé e tabaco para mascar (Séc.XVIII), charuto (séc.XIX) e desde o início do século passado, o cigarro passou a ser produzido em forma de produção industrial, e foi cada vez mais sendo associado a padrões de vida elevados, atingindo principalmente o público mais jovem (COSTA E SILVA & ROMERO, 1988; SCHWARTZ, 1992; www.falandosériosobredrogas.org.br/cap1.htm, 2001).



O tabagismo é a principal causa evitável de doenças e mortes não só nos Estados Unidos da América como também no Brasil. Fazendo uma breve retrospectiva, nos Estados Unidos em 1900 mais ou menos 3.200 gramas de tabaco eram consumidos por cada adulto por ano. Destes, a maioria era consumida por mastigação ou inalação; cada indivíduo consumia menos de 500 gramas sob a forma de cigarros ou cigarrilhas. Em 1918, o consumo do cigarro tinha disparado em relação às outras formas de utilização, e a epidemia havia começado. O consumo aumentou sensivelmente na década de 50 e atingiu o pico em 63. Em 1990, o consumo foi avaliado em 2.800 cigarros por cada adulto. 



Desde a publicação do primeiro relato do Surgeon General em 1964, a saúde pública vem lutando contra o tabagismo e confirma que ele é considerado uma droga que ameaça diretamente a saúde (GIMENEZ, 1990). Tem causado uma epidemia de morbidade e mortalidade prematuras, através do seu efeito sobre doenças respiratórias, cardiovasculares e as neoplasias (BORHANI,1977; GIMENEZ, 1990; FUCHS, 1992). A mortalidade chega a ser duas vezes maior em fumantes do que em não fumantes e isto representa a maior causa de morte em grandes cidades do Brasil (LOLIO & LAURENTI, 1986). A perspectiva de mortalidade atual pelo uso do cigarro em países desenvolvidos é de 2 milhões e em países em desenvolvimento é de 1 milhão. Para o ano de 2020, a perspectiva de mortalidade é de 3 milhões em países desenvolvidos e de 7 milhões em países em desenvolvimento, isto significa 10 milhões de mortes ligadas ao uso do tabaco no ano de 2020. Também segundo a OMS, o tabaco mata por ano 3 milhões de pessoas e mata mais que a soma de mortes por AIDS, cocaína, heroína, álcool, suicídio e acidentes de trânsito (BECOÑA & VASQUEZ, 1998; www.fumantes.com.br/2001). 



Mesmo sendo o tabagismo uma prática antiga no mundo, só após os anos 80, a nicotina foi incluída como droga que causa dependência psicoativa entre os critérios diagnósticos de doenças. A década de 1990, deu início à segunda batalha contra o tabagismo. Para isto, utiliza-se o conhecimento atual sobre o tabaco e sua dependência, a fim de realizar a prevenção primária e programar intervenção de interrupção. Para erradicação da epidemia de doenças relacionadas ao fumo, deve-se informar e planejar ações. No plano de ação é importante: compreender a epidemiologia (estudo dos fenômenos saúde/doença); rever conhecimento acerca do risco de saúde resultante do tabagismo; saber diagnosticar e tratar dependência da nicotina; implementar intervenção clínica rápida para pacientes fumantes e intervir com público jovem de forma prática. 
Segundo a OMS existe hoje 1,2 bilhão de fumantes no planeta, sendo que nos últimos 10 anos, estimou-se que 30 milhões de pessoas foram a óbito por causa do cigarro. MOREIRA et al. (1995), em pesquisa realizada no Rio Grande do Sul, identificaram como fatores de risco do uso do tabaco o sexo masculino, idade entre 30 e 39 anos, baixo nível sócio-econômico e associação ao consumo de bebida alcoólica.
O Brasil é o 6º maior consumidor de tabaco do mundo e tem uma das piores taxas anuais de mortes associadas ao fumo na América Latina - 32 mil dos cem mil estimados entre latino-americanos. A partir de 1964, o consumo passou a diminuir, passando de 41% de adultos fumantes para 28% em 1992. Com relação ao sexo, inicialmente havia uma prevalência do sexo masculino sobre o feminino. Mas este último aumentou seu consumo e parece que a tendência com o passar do tempo é que essa diferença por sexo seja equivalente ou até maior.
(www.cigarro.med.br) 



2. COMO ACONTECE A DROGADICÇÃO

A nicotina chega ao cérebro em um curto período de tempo (9 segundos) (PALFAI & JANKIEWICZ, 1997), alimentam os receptores de células cerebrais capazes de reconhecê-la. O organismo reage à nova substância e com o tempo acostuma-se a receber cargas freqüentes da droga. Cada tragada chama a próxima e em um prazo de 1 a 3 meses a adicção (vício) instala-se. Nesta fase observa-se a ocorrência da tolerância, que é a quantidade de nicotina que o indivíduo necessita para suprir seus receptores cerebrais; assim quanto maior a tolerância maior a necessidade da nicotina e maior a dependência física (GIMENEZ,1990). Além disso a nicotina provoca uma série de respostas no organismo: é estimulante e depressor ganglionar, promove a liberação de catecolaminas, aumento de pressão arterial, freqüência cardíaca, aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio, vasoconstricção periférica e aumento de agregação plaquetária. A fumaça do cigarro é uma mistura complexa de 4700 substâncias tóxicas diferentes relacionadas ao tabaco e dentre elas sabidamente 43 delas estão descritas como cancerígenas até o momento (como o alcatrão e o monóxido de carbono) (GIMENEZ, 1990).

Ela provoca maior dependência física que as drogas conhecidas como ilícitas. Em sentido mais amplo, dependência significa a perda do controle sobre o comportamento de usar uma droga. A dependência de drogas é diferenciada dos outros hábitos porque o comportamento é iniciado e mantido pelos efeitos farmacológicos da substância. A OMS define a dependência de drogas como um padrão comportamental no qual o uso de determinada droga psicoativa recebe prioridade mesmo em relação aos outros comportamentos que já foram muito mais prioritários. A dependência do tabaco é um processo complexo que envolve a inter-relação entre farmacologia, fatores adquiridos ou condicionados, personalidade e condições sociais.



As ações farmacológicas da nicotina estão envolvidas nas várias formas de dependência. A nicotina afeta as vias neuroquímicas de recompensa e abstinência através da ação das vias dopaminérgicas e noradrenérgicas (LESHNER, 1996; LANDRY,1997). Fumantes falam de efeitos positivos, como prazer, estimulação e relaxamento. Pode melhorar atenção, tempo de reação e rendimento das tarefas. O tabagismo pode promover alívio: em estados emocionais adversos; diminuindo a ansiedade ou stress; diminuindo a sensação de fome porque diminui a ansiedade e controlando os sintomas da síndrome de abstinência. A síndrome de abstinência é caracterizada por: mal estar, dor de cabeça, tontura, baixa freqüência cardíaca, tristeza, aumento de ansiedade, dificuldade de concentração, distúrbios de sono fissura entre outros (LESHNER, 1996; PALFAI & JANKIEWICZ, 1997).
Os critérios para dependência de droga, são específicos e se adaptam ao diagnóstico de casos individuais. A principal ênfase é na perda de controle sobre o uso da droga. Neste critério é necessário que se encontre no mínimo três fenômenos descritos e que os sintomas persistam há pelo menos um mês ou tenha ocorrido repetidamente durante um período maior. Os critérios diagnósticos para dependentes de substâncias psicoativas são: 



1- A substância é consumida em grandes quantidades ou por períodos maior do que a pessoa pretendia;
2- Desejo persistente ou uma ou mais tentativas fracassadas de interromper ou controlar o abuso da substância;
3- Muito tempo utilizado nas atividades para obtenção de substâncias, consumo ou recuperação de seus efeitos;
4- Intoxicação freqüente ou sintomas de abstinência quando obrigado a realizar tarefas simples ou quando o uso da droga for fisicamente perigoso;
5- Suspensão ou diminuição de atividades sociais, profissionais e/ou lazer pelo uso da substância;
6- Uso persistente da substância, apesar de saber que apresenta um problema social, psicológico ou físico persistente ou recorrente, causado ou agravado pelo consumo da substância;
7- Tolerância marcante: necessita quantidades progressivamente maiores de substância;
8- Sintomas típicos de abstinência;
9- Substância consumida frequentemente para aliviar ou cortar sintomas de abstinência.



A dependência psicológica desempenha papel importante na manutenção da adicção; ela ocorre paralelamente e parece ser mais difícil de ser percebida e tratada. Observa-se que o indivíduo fuma por: estimulação, onde o fumar pode ser percebido como modulador de funções fisiológicas melhorando a atenção, a concentração e a energia pessoal; ritual que envolve todos os passos dados até se acender o cigarro; prazer, pois a nicotina libera substâncias hormonais que dão maior satisfação através das atividades neuroquímicas do cérebro nas vias de recompensa; redução de tensão, pois a nicotina do cigarro quando chega aos receptores cerebrais, ajudam a diminuir a ansiedade que o fumante apresenta, dando uma sensação momentânea de alívio; hábito, que é entendido como um condicionamento do fumar em determinadas situações como por exemplo, logo após o almoço; e o vício, que é caracterizado pelo tempo que o indivíduo consegue ficar sem fumar, ou seja, tem a ver com a tolerância da nicotina e com a dependência física(LABBADIA & ISMAEL, 1995; LESHNER, 1996).



Todo comportamento de usar a droga pode ser visto também como resultado de condicionamento. O comportamento dependente é reforçado pelas consequências da ação farmacológica, ou seja, o drogadicto (tabagista) começa a associar humores, situações ou fatores ambientais específicos aos efeitos reforçadores da droga. Este é um fator importante que pode acometer e acarretar a recidiva do uso da droga, depois de um período de abstinência.
Outros fatores de dependência de drogas estão relacionados a aspectos de personalidade e condições sociais. Indivíduos rebeldes e com distúrbios afetivos parecem aumentar a probabilidade de se formar um dependente. Os fatores sociológicos podem determinar o risco e os padrões do abuso de drogas e o comportamento de usar droga na família ou entre amigos é um forte motivador e reforço para o consumo da mesma (LEITE et al., 1999).



3. CONSEQUÊNCIAS DO FUMO SOBRE A SAÚDE




O tabagismo é a principal causa isolada de óbito, devido ao câncer nos EUA. Os fumantes exibem índice de mortalidade devido ao câncer duas vezes maior do que em não fumantes. Pesquisas confirmam esta conclusão e fornecem evidências adicionais implicando o tabagismo em causas de câncer de cavidade oral (92%), laringe (82%), esôfago (75%), bexiga (45%), rim(30%), estômago(20%), pulmão (90%), e colo uterino (30%). Além disso o cigarro é responsável por 75% dos casos de enfizema pulmonar, e 25% dos infartos agudos do miocárdio são provocados pelo cigarro (FIORE, 1990). O fumante passivo tem 200% de chance de contrair câncer de pulmão e há um risco de 800% de acidente vascular periférico. As mulheres que começam a fumar antes dos 17 anos podem ter menopausa precoce, assim como no homem há predisposição à impotência masculina.
(www.falandoseriosobredrogas.org,br) 



É causa importante de doença aterosclerótica e um dos três principais fatores de risco para doença arterial coronária (DAC), junto a hipertensão arterial e os distúrbios de colesterol. A relação entre tabagismo e doença cardiovascular é bem estabelecida. A diminuição do tabagismo tem estado nitidamente associada a diminuição da morbidade e mortalidade pela doença cardiovascular. A doença cadiovascular tornou-se a principal causa de males e incapacidade do Século XX. Em 1987, quase 1 milhão de pessoas morreram nos EUA devido a Acidente Vascular Cerebral (46% de todos os óbitos) sendo que 200 mil foram causados pelo uso do tabaco. Outro dado alarmante é que a cada ano são registradas 37000 mortes por insuficiência coronariana relativa ao tabagismo passivo (BECKER, 1997). 



O grau de risco do tabagismo está relacionado ao número de cigarros fumados ou ao consumo cumulativo e está associado a um risco maior de morte e IAM. O tabagismo é provavelmente responsável por mais de 20% dos óbitos por doença arterial coronária (DAC) em homens com mais de 65 anos e por aproximadamente 45% de mortes nos homens com menos de 65 anos (nas mulheres o risco é semelhante). Estudos populacionais indicam ainda que tabagismo, hipertensão e hipercolesterolemia contribuam igualmente para a DAC. Sendo assim, uma associação destes três fatores de risco podem trazer consequências desastrosas.



4. BENEFÍCIOS NA INTERRUPÇÃO DO TABAGISMO SÃO:



Após 20 minutos: a pressão arterial , a freqüência cardíaca assim como a temperatura das mãos e pés tendem a voltar ao normal.
Após 8 horas: o nível de monóxido de carbono no sangue ao normaliza. O nível de oxigenação no sangue aumenta; 
Após 24 horas: diminui o risco de um ataque cardíaco;
Após 48 horas: as terminações nervosas começam a regenerar-se. O olfato e o paladar melhoram;
Após 72 horas: A árvore brônquica torna a respiração mais fácil e a capacidade pulmonar aumenta em até 30%;
Após 2 semanas: a circulação sangüínea aumenta e o caminhar torna-se mais fácil;
De 1 a 9 meses: diminuição da tosse, da congestão nasal, da fadiga e da dispnéia. O movimento ciliar dos brônquios volta ao normal, limpando os pulmões e reduzindo os riscos de infecções respiratórias. Aumento da capacidade física e da energia corporal.
(www.fumantes.com.br) 



5. TABAGISMO E O ADOLESCENTE



Em um trabalho realizado por LEITE et al. (1999), foi evidenciado que a faixa etária mais comum que se inicia o tabagismo foi de 10 à 19 anos. O adolescente por estar em uma fase de transição, passa por situações de estresse, de insegurança, de sentir-se estranho pelas modificações em seu corpo, por se sentir incompreendido e rejeitado pelos pais. Isto associado a fazer parte de um grupo e ser bem aceito, pode levar o adolescente a seguir modelos de dentro do grupo e importante para a formação de sua identidade. Em recente pesquisa realizada no Hospital do Coração, ainda não publicada, observou-se que 65% dos pacientes iniciaram seu hábito de fumar na adolescência, para fazer parte do grupo e sentirem-se aceitos. GORGULHO (1996), relata estatística similar. Ainda um outro dado muito importante, foi que 70% deles, tinham pelo menos, o pai ou a mãe fumante dentro de casa, reforçando que o modelo vem a ser um fator de importância na determinação do hábito de fumar. LEITE et al. (1999), observou também que havia um aumento no consumo de cigarros em situações de nervosismo, frustração, tensão e aborrecimento, que pode tanto ocorrer para o indivíduo adulto como para o jovem. 



É importante a ação do médico que lida com a população mais jovem em seu consultório, saber entender como esse vicio se inicia e saber como pode lidar com a situação (MANLEY et al., 1992 ; INCA, 1997). Com certeza a melhor forma de iniciar a abordagem não é criticando nem mesmo desaprovando a atitude do jovem fumante. A compreensão, a motivação e a sensibilização para a questão dos malefícios que o cigarro causa é que transformam-se no como seria a melhor forma de abordar este problema(LEWIS, 1997).
O dependente de forma geral, sente-se incapaz de desenvolver atividades diárias sem o uso da droga. Há um viés negativo no conteúdo de seus pensamentos: se algo falha ele automaticamente pensa que isso se deve a sua falta de controle. Consequentemente ele sente-se culpado, fracassado e utiliza a droga. 
Ele tende a atribuir significados subjetivos a certas palavras e/ou situações distorcendo sua significação real e objetiva. Apresenta baixa tolerância à frustração e muita ansiedade.



6. COMO PARAR DE FUMAR?



Hoje em dia sabe-se que 80% dos fumantes param de fumar sozinhos, mas 20% deles não conseguem e pedem ajuda (BECOÑA & VASQUEZ, 1998). Nós enquanto psicólogos temos um papel fundamental nisto, pois sabe-se que os programas multidisciplinares voltados para o tratamento da parada do hábito de fumar são os que mais funcionam. Utiliza-se a técnica da terapia Comportamental-Cognitiva, em sessões programadas que vão de 6 a 8, e o sucesso deste tipo de tratamento em um ano tem sido em torno de 60%. Observa-se através de recente estudo realizado com estes pacientes que eles fumam por estimulação, prazer, redução de tensão e vício. O cigarro é utilizado como companheiro e na supressão do mesmo eles reagem como em uma situação de perda, e tem que ser trabalhados em relação ao "luto" da perda do cigarro. O tratamento basicamente associa o atendimento médico ao atendimento psicológico. Durante o mesmo, é realizada uma avaliação do perfil do fumante, situações que são os "gatilhos" para levar ao cigarro, introduz-se a medicação a base de bupropiona associada ou não ao adesivo de nicotina transdérmica. É realizado um acompanhamento semanal da evolução do paciente e a preparação do mesmo para alta e prevenção de recaída. Este trabalho é realizado em grupos de no mínimo 5 e no máximo 10 pacientes. BECOÑA & VASQUEZ (1998), discutem ainda a não eficácia de tratamentos isolados, como, por exemplo, só com um acompanhamento breve realizado pelo médico e a medicação sem acompanhamento a longo prazo.



Convém ressaltar, que este é um campo vasto de trabalho, de grande interesse científico e político, onde o objetivo maior é em prevenção. A prevenção pode ser primária realizada nas escolas e instituições que lidam com o menor e secundária que atingem o fumante em questão e podem evitar que no futuro doenças graves possam acometê-lo. Este é um trabalho difícil, pois a indústria do cigarro é poderosa e rende aos governos uma substanciosa quantia de impostos. Mas a longo prazo, acreditamos que com a perseverança e as diversas ferramentas para a sensibilização e conscientização o objetivo principal, que é a saúde da população e do meio ambiente, será alcançado.



Entendemos, portanto, que a inatividade física e o hábito de fumar são fatores de risco de doenças cardiovasculares. Sabemos também que o hábito de fumar provoca danos ao nosso organismo, dentre eles uma grande redução da capacidade cardiorrespiratória dos tabagistas.
É sabido também, que a atividade física não possui nenhuma influência direta no abandono do fumo, atuando “apenas” como mais uma (das muitas) forma de intervenção. Porém, a atividade física regular pode beneficiar os tabagistas a largarem o vício de fumar por uma série de fatores. 
Primeiramente podemos salientar que a atividade física possibilita ao tabagista um ambiente social de baixo risco, pois a prevalência de tabagistas nos ambientes onde se realiza atividade física é menor. Também durante a realização de alguma atividade física é menor chance de fumar. Constata-se também que os fumantes procuram evitar o cigarro imediatamente antes e após os exercícios físicos.
Além disso, a atividade física quando orientada por profissionais de educação física, que pela resolução 218 de 06 de Março de 1997 se tornaram profissionais da área da saúde, possibilita ao tabagista ter maior consciência dos malefícios do vício de fumar, no que diz respeito principalmente na degeneração de sua aptidão física provocada pelo cigarro, auxiliando o drogadicto indiretamente na intenção de abandonar o tabaco, além de reforçar o discurso de todos os outros profissionais da saúde.



A atividade física regular, pelo incremento do gasto calórico, ainda auxilia os ex-tabagistas no controle do peso corporal que, por ansiedade, é aumentado assim que se larga o vício. Obviamente tais benefícios, como em qualquer outra pessoa, poderão ser otimizados quando seguindo uma dieta adequada, prescrita por um nutricionista.
Conhecemos também os benefícios da prática de atividade física na redução dos níveis de stress, irritabilidade, depressão, etc. Sensações estas típicas na abstinência ao fumo.
Assim, a atividade física torna-se fundamental no auxílio à cessação do hábito de fumar, proporcionando benefícios físicos, mentais e sociais.





Fonte: Silvia Ismael Cury 

terça-feira, 12 de abril de 2011

A "EVOLUÇÃO" DA DIETA HUMANA




Durante milhões de anos, o ser humano sempre soube se alimentar, procurando intuitivamente os alimentos de forma adequada. Diversas linhas de pesquisa argumentam que a prevalência de muitas doenças crônicas nas sociedades modernas, entre elas a obesidade, a hipertensão, doenças coronarianas e diabetes, seria o resultado da incompatibilidade entre padrões dietéticos modernos e o tipo de dieta que nossa espécie desenvolveu para se alimentar como caçadores-coletores pré-históricos. 
Os aspectos alimentares influenciaram fortemente nossos ancentrais hominídeos tanto no aspecto físico, como no social. A expansão do nosso cérebro (três vezes maior que o esperado para outros primatas), por exemplo, quase que certamente não teria ocorrido se os hominídeos não tivessem adotado uma dieta suficientemente rica em calorias e nutrientes. Até mesmo a locomoção sobre as duas pernas (bipedalismo) pode ter emergido – dentre outras hipóteses – como uma postura de alimentação, por ter permitido o acesso a alimentos que antes estavam fora de alcance. Sabe-se que o último ancentral comum dos humanos e dos chimpanzés (nosso parente vivo mais próximo) era um quadrúpede. 

Conforme a teoria evolutiva corrente, por volta de 6 e 7 milhões de anos atrás, viveu nas florestas africanas um antepassado do homem do tamanho de um chimpanzé, que passava a maior parte do tempo nas árvores, em busca de seu alimento (frutas e folhas). Mas eventualmente descia ao solo. A presença de grandes molares e de pequenos caninos sugere que esses hominídeos tinham uma dieta baseada em vegetais, mas podemos supor que, eventualmente, insetos e pequenos vertebrados também fizessem parte de sua alimentação. 
Após alguns milhões de anos, o continente africano foi tornando-se mais árido, transformando as florestas em pastos e savanas, o que deixou os recursos alimentares distribuídos mais irregularmente.
Com isso, observa-se o início da caça de animais selvagens, pois a disseminação de pastos também resultou em um aumento na abundância relativa de mamíferos, como o antílope e a gazela, iniciando a era do homem coletor e caçador. No início, nossos antepassados tiveram grandes dificuldades, pois não estavam adaptados à caça. Portanto, eventualmente, quando encontrava um animal doente ou já morto, ele consumia a carne com voracidade. 
Sem dúvida, a ingestão de mais alimentos de origem animal foi uma forma de aumentar a densidade calórica e nutricional, uma mudança que parece ter sido crítica na evolução da raça humana. Neste período, estima-se que em torno de 60% do total de calorias da dieta eram provenientes de alimentos fonte de proteínas. 
Um valor como este pode assustar muitos profissionais da área de nutrição, visto que hoje se recomenda entre 10 e 15% das calorias totais provenientes de alimentos protéicos. Se uma ingestão acima das atuais diretrizes fosse realmente tão maléfica como pregam muitos, nós não estaríamos aqui para contar esta história, pois já teríamos padecido há milhões de anos. 
Os alimentos do homem caçador e coletor tiveram como base a carne, frutos e oleaginosas. Com o passar dos anos foram surgindo adaptações para facilitar a caça, pois as condições em que a evolução humana se deu permitiram que o homem desenvolvesse sua inteligência para compensar seus desvantajosos atributos físicos. Pedras lascadas para compensar a falta de garras e presas; lanças para compensar a pouca velocidade; além de estratégias e emboscadas para compensar a falta de resistência. A carne nos acompanhou grande parte desse tempo, seja da carcaça abatida por outros animais, ou muitas vezes, a única opção para não se morrer de fome era comer a carne de outros próprios humanos. 

Neste período, era freqüente o homem passar um ou mais dias seguindo e caçando animais e isso em passo acelerado ou correndo.
Depois ele levava a caça até sua caverna – provavelmente carregando nas costas – a passos também relativamente rápidos. Mesmo quando não estava à procura de alimento, abrigo ou segurança, o homem pré-histórico era fisicamente ativo. Ele apreciava o exercício. Era parte de sua vida social, religiosa e cultural. 
Cerca de 1,8 milhões de anos atrás, parte dos hominídeos começaram a deixar a África, aventurando-se pelo mundo até então desconhecido. Este período coincide com o início da utilização do fogo para cozinhar os alimentos. A cocção não só faz com que os vegetais fiquem mais macios e fáceis de mastigar, como aumenta substancialmente o conteúdo energético disponível, particularmente em tubérculos feculosos como a batata e a mandioca. Quando crus, as féculas não são imediatamente quebradas pelas enzimas do corpo humano. Quando aquecidos, porém, esses carboidratos complexos tornam-se mais digeríveis, liberando mais calorias. 
Com o início da agricultura, há cerca de seis a sete mil anos, o homem agricultor passou a ter a segurança de saber que, se cuidasse da sua plantação, teria alimento para o ano inteiro. O cultivo de vegetais também permitia o sustento da família sem a necessidade de grandes deslocamentos. Permitia a fixação a terra e o sustento de um núcleo populacional maior em menor área. Mas isto não tornou o homem exclusivamente vegetariano, pois a criação de animais concentrou-se nas terras menos propícias ao cultivo. 
Com a agricultura, ocorreu um acréscimo substancioso da oferta de carboidratos que está possivelmente, dentre outros benefícios, associado ao desenvolvimento da reflexão (pensamento), resultando no acréscimo do acervo cultural. Por outro lado, alguns efeitos colaterais ocorreram, tais como a obesidade, hipertensão arterial, diabetes, doenças psicossomáticas e a hipercolesterolemia - doenças inexistentes no homem pré-histórico ou entre qualquer outro mamífero terrestre não domesticado.
Há cerca de 20 mil anos, para preencher suas necessidades energéticas, o homem pré-histórico sonhava encontrar frutas doces e carne animal. No entanto, obter comida naquela época não era fácil e exigia, além de sorte, um grande desgaste: percorrer longas distâncias, subir em árvores, etc. Quando alguém caçava um animal de maior porte, comiam todos parcimoniosamente até não poder mais, pois carne estraga rápido, e não se sabia quando teriam sucesso de novo na caça. Nesses dias de sorte, muito provavelmente, nossos ancestrais passavam o restante do dia economizando energia sem fazer nada, exceto quando era necessário correr atrás de mais comida ou fugir de algum predador. 
Fica claro, portanto, que aqueles dotados de organismos capazes de acumular gordura de maneira mais eficaz, sobreviveram a essa fase do período evolutivo e os que não tinham tal capacidade padeceram. Quando nos sentamos à mesa, existe em nosso subconsciente um peso de aproximadamente 3,6 milhões de anos de evolução e luta pela vida na Terra. Porém, para uma parcela privilegiada da população, não existe mais escassez de alimentos, obrigando-os a tentar controlar a ação dos nossos genes que insistem em nos fazer comer até ficarmos totalmente saciados e armazenar energia quase ilimitadamente, além de tirar um bom cochilo após a refeição. Existem ainda evidências crescentes de que a fisiologia humana é configurada de forma mais eficiente para lidar com a minimização de potenciais conseqüências negativas da baixa ingestão calórica (fome) que com as conseqüências negativas do excesso de calorias. 
Considerando a alimentação da civilização moderna, durante muito tempo, nós mantivemos grande parte dos hábitos alimentares adequados, sendo que somente nos últimos 150 anos, o avanço tecnológico vem modificando a relação humana com o meio ambiente. Ou seja, nossa alimentação vem piorando muito.
As tendências de transição nutricional ocorridas principalmente no século passado em diferentes regiões do mundo convergem para uma dieta mais rica em gorduras (particularmente as de origem animal), açúcares e alimentos refinados; ao mesmo tempo em que essa dieta é (infelizmente) reduzida em fibras, carboidratos complexos e alimentos funcionais. 
Comidas práticas, saborosas, riquíssimas em carboidratos e com teores elevados de aditivos químicos, vêm tomando conta das prateleiras dos supermercados, enquanto alimentos integrais ou orgânicos ficam escondidos nos cantos das gôndolas. Em paralelo, a demanda energética da vida moderna tem caído drasticamente, devido a um estilo de vida mais sedentário. Estima-se que o gasto energético total do homem moderno sedentário seja o equivalente a 68% do gasto energético total do homem na idade da pedra. Até mesmo nossos avós “queimavam” entre 300 e 400 calorias a mais que nós. Não precisamos nos movimentar tanto quando há esteiras e escadas rolantes, carros, aviões e supermercados, sem falar na internet e no telefone. 
O resultado disso tudo é o aumento na prevalência de várias doenças, incluindo a obesidade. Sabe-se que aproximadamente 70% das doenças cardiovasculares estão diretamente ligadas à obesidade. 
Nós somos vítimas do nosso próprio sucesso evolutivo, desenvolvendo uma dieta calórica concentrada, mas minimizando a quantidade de energia de manutenção despendida em atividade física. Até mesmo o desenvolvimento de suplementos nutricionais, que substituem refeições, é uma continuação da tendência iniciada por nossos ancestrais: obter o máximo de retorno nutricional, no menor volume e com maior praticidade. 
Se encontrarmos um membro dos Kung ou dos Nanamiut (povos que ainda vivem em condições naturais), veremos imediatamente que eles são magros, saudáveis e atléticos.

Agora, ao olharmos para a maioria dos habitantes de qualquer cidade de qualquer país industrializado, a diferença é óbvia. 
Nosso organismo não mudou muito desde os tempos pré-históricos. Em termos de dieta e exercício, a evolução não acompanhou nossos modernos estilos de vida. Nosso corpo precisa de exercício e uma boa alimentação para permanecer saudável e prevenir doenças. Evoluímos para nos movimentar, mas nossa sociedade nos condicionou a ficar parados e se alimentar erroneamente. O exercício e uma ótima nutrição devem ser incorporados à vida cotidiana para que se pareçam completamente naturais, pois é isso que eles são. 

Além da atenção à alimentação, vale lembrar que para ter a saúde em dia, manter um ritmo de atividades físicas é fundamental. Estudos já comprovaram que a execução de exercícios e/ou prática de esportes são capazes de prevenir diversas doenças cardíacas, derrame cerebral... além de reduz o risco de desenvolver diabetes, obesidade e hipertensão arterial.

Hipócrates, o pai da medicina, observou, há 2500 anos, que as doenças originam-se da natureza e podem ser evitadas quando se estabelece um equilíbrio entre o meio ambiente, os alimentos ingeridos e o espírito.  Portanto, é sempre tempo de refletirmos sobre seu principal ensinamento - "o alimento é o nosso melhor remédio".

Fonte: Rodolfo Anthero de Noronha Peres (Nutricionista esportivo)

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EXCELENTES ATIVIDADES FÍSICAS E ATÉ A PRÓXIMA!


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