MISSÃO:

Profissional especializado em Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida. Sérgio Nunes e sua empresa QualiFis, pretendem desenvolver junto aos seus alunos e clientes a ideia da verdadeira Saúde, que obviamente não é apenas a ausência de doença, mas também o Encantamento com a Vida, dotando-os de um entendimento adequado de se Priorizar, de compreender que vale a pena Investir no seu Potencial de Ser, através do investimento na melhoria da Qualidade de Vida, aprimorando a saúde e usando como meio, a Atividade Física, em suas mais diferentes possibilidades.

“As informações, dicas e sugestões contidas nesse blog têm caráter meramente informativo, e não substituem o aconselhamento individual e o acompanhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física.”

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

SAÚDE NO CAMPO, NA CIDADE E NA MESA


Promover uma alimentação de qualidade é uma das formas de transformar o mundo. As jornalistas e pesquisadoras em agricultura e alimentação Tatiana Achcar e Cláudia Visoni são grandes entusiastas neste assunto. 
Alimentação de qualidade, aqui, significa uma rede de produção do que vai pra mesa do consumidor feita com responsabilidade e saúde para a terra e para o homem.    

Tatiana já viveu experiências como voluntária em fazendas orgânicas dos EUA por meio do WWoofing, rede internacional que conecta pequenos produtores no mundo todo com pessoas interessadas em trabalhar voluntariamente pra aprender o manejo rural em pequena escala, de forma conectada com a natureza e com os ciclos naturais da terra.
Cláudia mantém um blog no qual dá dicas para quem quer começar a repensar a sua relação com a comida. São textos sobre como fazer uma horta em casa/apartamento, alimentos orgânicos, notícias sobre o tema e dicas gerais sobre alimentação.
Ambas estão entre as fundadoras do grupo Hortelões Urbanos. Hortelão é o nome dado a pessoas que cultivam hortas. A comunidade já conta com quase 900 pessoas conectadas pelo Facebook. Por lá, elas trocam informações, ideias e conhecimentos gerais sobre agricultura urbana e marcam encontros como o “picnic” de trocas de mudas e sementes que aconteceu em abril no Parque da Luz, em São Paulo. “Foi um momento riquíssimo de trocas, gente chegando com mudas,  sementes, comidinhas especiais. Tudo ali tinha uma história que as pessoas contavam com amor e entusiasmo”, conta Tatiana. Qualquer um que faça parte da rede social pode se conectar e começar a entender e explorar mais o assunto.
Cláudia na sua horta, em São Paulo
Para elas, tudo começa com a convicção de que há uma relação estreita entre a saúde do ser humano e a saúde do planeta. “Não há como dissociar uma coisa da outra”, dizem. Hoje, boa parte da alimentação brasileira é baseada em monoculturas, ou seja, extensas plantações mecanizadas que desmatam áreas naturais, empobrecem o solo e demandam adubos químicos, fertilizantes e agrotóxicos. “É o modelo do desmatamento. Estamos fabricando um deserto com a monocultura”. Por isso, nossa alimentação se resume a quatro grandes commodities, que são a base de praticamente todos os outros produtos que consumimos: soja, milho, trigo e arroz.
“É um questionamento do modelo de produção e distribuição dos alimentos. No Brasil, essa discussão quase não existe ainda”. Na mesma medida em que somos uma potência do agronegócio mundial (condição exaltada em propagandas como a deste vídeo abaixo), os caminhos alternativos (alimentos saudáveis e livres de veneno) muitas vezes tornam-se mais difíceis de serem percebidos por grande parte da população. “Às vezes as pessoas até ficam bravas quando se inicia uma conversa sobre isso”, comenta Cláudia.

Por que tanto veneno?

Além de resignificar a relação com o alimento, a agricultura urbana e orgânica é uma forma de fugir do uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil. Segundo Tatiana, a primeira medida de mobilização necessária é impedir que o Brasil compre produtos que são proibidos no resto do mundo. É isso mesmo: por conta de uma política dominada por grandes indústrias químicas, ainda comemos alimentos contaminados com venenos que foram banidos há anos em outros países.

Anvisa mostra que somos responsáveis por usar 19% de todos os defensivos agrícolas produzidos no mundo, na frente dos EUA, que consome 17%. Em 2011, o Brasil registrou 8 mil casos de intoxicação por agrotóxicos.
Segundo dados apresentados pela professora de Geografia da USP Larissa Mies Bombardi em entrevista ao Brasil de Fatoseis grandes empresas controlam mais de 70% do mercado de agrotóxicos no Brasil e tiveram uma renda líquida de R$15 bilhões em 2010.
E mais impressionante ainda é que 84% dos agrotóxicos da América Latina são consumidos no Brasil, que é “muito permissivo” e “tem produtos que são proibidos na União Europeia e nos Estados Unidos há 20 anos”, comenta a pesquisadora. Larissa também explica porque o argumento de que esse sistema é necessário para alimentar toda a população mundial é “mentiroso”. Para ela, não é questão de produção, mas sim de acesso à renda.
O pesquisador Joel Cohen, chefe de Laboratório de Populações da Universidade Rockefeller, nos EUA, segue a mesma linha: “Em 2009-2010, o mundo cultivou 2,3 bilhões de toneladas de cereais. Do total, 46% foi para a boca de pessoas, 34% para animais e 18% para máquinas (biocombustível e plásticos). 90% da soja cultivada no mundo serve para alimentar animais. Nosso sistema econômico não precifica gente que passa fome. A fome é economicamente invisível. Com o que se planta agora, poderíamos alimentar de 9 bilhões a 11 bilhões, mas 1 bilhão passa fome”.
Charge do Angeli: qual modelo de fazenda nós queremos?
Para piorar, no Brasil não existem linhas de financiamento voltadas para a agroecologia. “Parece mentira, mas para conseguir liberação de dinheiro no banco, o produtor precisa mostrar a nota fiscal comprovando que adquiriu agrotóxicos”, diz Cláudia em seu texto “Por que os orgânicos são tão caros?”.
Nossas faculdades de agronomia formam cada vez mais profissionais que vão reproduzir essa forma de tratar a terra e a produção de alimentos. “Nas faculdades de agronomia predomina o ensino da agricultura baseada em insumos químicos, gerando carência de profissionais que sabem cultivar a terra sem apelar para eles. Para complicar de vez a situação, entidades como a FAPESP, o CNPQ e a CAPES não costumam liberar bolsas de estudos para quem se propõe a estudar agricultura orgânica e familiar”.
Muita gente se depara com o dilema do preço. É fato que, na maior parte das cidades brasileiras, ainda é mais caro comer alimentos orgânicos. Este é, no entanto, o típico caso do barato que sai caro para o país. Como enumera Cláudia, nosso sistema agrícola dominante não leva em conta questões como:
1. O custo social representado pelo abandono do campo pelos pequenos produtores e inchaço das periferias urbanas;

2. O custo em saúde pública que tem origem no enorme número de pessoas intoxicadas pelos agrotóxicos, seja de forma aguda ou crônica (câncer, doenças neurológicas e endócrinas entre outras);

3. O custo ambiental devido à contaminação química do ar, da água e do solo, à perda da fertilidade do solo e da biodiversidade.

Campanha -

É importante destacar o papel da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que luta por outro modelo de desenvolvimento nos campos brasileiros. As pessoas que estão nesta linha de frente acreditam em “uma agricultura que valoriza a agroecologia ao invés dos agrotóxicos e transgênicos, que acredita no campesinato e não no agronegócio, que considera a vida mais importante que o lucro das empresas”, diz o site oficial.

No ano passado foi lançado o documentário O Veneno Está na Mesa, do cineasta Silvio Tendler, que está disponível na íntegra na internet para cópia, veiculação e distribuição, e é uma ótima forma de entender melhor a questão. Veja abaixo:
Nascidos e acostumados a este sistema, acabamos perdendo a sensibilidade em relação ao que comemos. O gosto da cenoura ficou menos acentuado. A alface, sem gosto. O sabor do milho é aquele da latinha. Está certo que seja desta forma? Falta um “apreço pelo sabor e pela qualidade do alimento”, enfatizaram Cláudia e Tatiana.
Ao entender que a qualidade do que vai diretamente para dentro do corpo de cada um de nós foi profundamente afetada por uma indústria que objetiva a produtividade acima da saúde da população, o primeiro passo foi dado. Os próximos abrem um caminho longo de busca por mais saúde no prato, no planeta e na sociedade, com espaço para tentativas e aprendizados. “Na agricultura urbana é possível errar, em um mundo em que sempre é preciso acertar”, conclui Tatiana.
Agrotóxico e a saúde -

Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do mundo - cerca de 5,2 litros da substância por pessoa ao ano. Isto já traz consequências sérias tanto para a saúde quanto para o meio ambiente. De acordo com Cássia Rangel, já somam 518 mil novos casos de câncer no Brasil, chegando a uma média de 140 mil mortes ao ano. Hoje o câncer é a segunda causa de morte no país e no mundo. "Diagnosticamos três tipos de contaminação por agrotóxico: a por meio da alimentação, a ambiental e a ocupacional. Por conta dos agrotóxicos, já vimos dois grandes danos a de imunotoxicidade e a desregulação endócrina, ambos acarretam em diversos problemas, inclusive, o câncer", explicou.

Márcia Sarpa de Campos, do Inca, defendeu ainda que alguns setores-chave do Sistema Único de Saúde (SUS) não entraram na força-tarefa contra os agrotóxicos como, por exemplo, a atenção básica. "Já diagnosticamos os grupos que estão em crescimento em relação à contaminação, que são os jovens, mulheres e crianças." O diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Guilherme Franco Netto, revelou que, segundo um estudo da Universidade Federal da Bahia, na última década, o número de mulheres afetadas é maior do que o de homens.

Márcia Sarpa complementou que o período pré e pós- natal, ou seja, gestação e lactação, são os mais críticos para as mulheres e crianças, principalmente. "É neste momento em que se desenvolve o sistema nervoso, imunológico e endócrino", detalhou.

Karen Friedrich, do INCQS/Fiocruz, informou também sobre os efeitos crônicos da intoxicação que podem causar deficiências nos sistemas cognitivo, motor e reprodutor, este último tendo como principal vítima os homens em algumas substâncias ativas encontradas em agrotóxicos.







Formas de atuação no controle

Durante o encontro, várias alternativas foram apontadas para o controle do uso do agrotóxicos. De acordo com Fernando Carneiro, da Abrasco, uma das principais formas de combater o uso desenfreado é a fiscalização. "Hoje não temos dados claros sobre a qualidade na água, não há uma política nacional de agroecologia, nem política nacional agroambiental. São medidas básicas que podem evitar grandes desastres", explica. A Abrasco lançou no Congresso Mundial de Nutrição realizado no mês de abril no Rio de Janeiro o dossiê "Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde " e apresentará a 2ª parte na Cúpula dos Povos durante a Rio+20.

Luiz Cláudio Meireles, da Anvisa, reinterou que a agência, que é responsável pela avaliação e registro destes componentes químicos, precisa ser fortalecida.. "O Estado precisa ter uma intervenção direta sobre o que causa risco à vida, por isso acreditamos que uma ação regulatória é muito importante", defendeu. Segundo Luiz Cláudio é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, por meio do Ibama, e o Ministério da Agricultura com o MAPA também cumpram seu papel de fiscalização, de acordo com a lei 7.802/89.

De acordo com dados representados por Luiz Cláudio, desde 2008, o número de empresas registradas que comercializam os agrotóxicos no Brasil dobrou, sendo que 53% destas têm escritório no país e, deste total, metade não está vinculado no Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), o que pode significar que muitas embalagens de agrotóxicos estão sendo descartadas de forma irresponsável e inadequada no meio ambiente. Ele ressaltou ainda que a Anvisa é pressionada pela bancada ruralista a liberar a comercialização de determinados tipos de agrotóxicos no país já proibidos e banidos em países como a China, países da União Européia, Paraguai, Chile e até Estados Unidos.


Realidade e Alternativas -

"Aqui no nosso povoado (escreve uma dona de casa ao Departamento de Aves do Museu Norte‐ Americano de História Natural) os olmos vêm sendo pulverizados há muitos anos (escreveu ela em 1958). Quando nos mudamos para cá, a terra era rica em aves; instalei um alimentador, que passou a receber um fluxo regular de cardeais, chapins e pica‐paus negros e cinzentos por todo o inverno, e os cardeais e chapins traziam seus filhotes no verão. Após alguns anos de pulverização com DDT, a cidade quase não tem mais pintarroxos e estorninhos; os chapins não têm vindo ao alimentador há dois anos e este ano os cardeais também sumiram; as ninhadas nas vizinhanças parecem se resumir a um par de pombas e talvez uma família de tordos. É difícil explicar às crianças que os pássaros foram mortos, quando elas aprenderam na escola que uma lei federal protege as aves de serem mortas ou capturadas. ‘Elas vão voltar algum dia?', perguntam elas, e eu não sei o que responder. Os olmos ainda estão morrendo, assim como os pássaros. Alguma coisa está sendo feita? É possível fazer alguma coisa? Será que eu posso ajudar?" A história está presente no livro de Rachel Carson, Primavera Silenciosa, publicado em 1962.

Praticamente unanimidade nas falas dos palestrantes, Rachel Carson mostrou em seu livro já na década de 60 os impactos causados pelo uso do veneno DDT e outras substâncias químicas. Cinco décadas depois, como lembraram os participantes do seminário, ainda vivemos esta realidade agravada ainda mais pela variedade de agrotóxicos e problemas como, por exemplo, a pulverização aérea.

Atualmente, as seis empresas Syngenta, Monsanto, Bayer, Basf, Dow e DuPont controlam mais da metade da produção de agrotóxicos no mundo, sendo que todas elas contam com um faturamento maior que o PIB de diversos países. Como consequência deste mercado, somente no Brasil, de acordo com dados fornecidos pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), foram registrados em 2011 mais de 8 mil casos de intoxicação por agrotóxicos no Brasil.

Na lista dos alimentos com nível do agrotóxico acima do tolerado estão por ordem de contaminação o pimentão (80%), uva (56,4%), pepino (54,8%), morango (50,8%), abacaxi (44,1%), couve (44,1%), mamão (38,8%), alface (38,4%), tomate (32,6%) e cenoura (24,8%). "No Rio de Janeiro, já foram encontrados ingredientes ativos na maçã que não são aprovados no Brasil", comentou Márcia Sarpa.

Cléber Folgado, da Campanha Nacional contra os Agrotóxicos e pela Vida, defendeu bandeiras que o conjunto da sociedade, e inclusive, a Fiocruz, precisam levantar com urgência e parecem ser consensuais entre os que estão preocupados com os riscos dos agrotóxicos. As ações são: o banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países, o fortalecimento das instituições públicas, o fim da pulverização aérea e da isenção dos impostos para as empresas produtoras desses venenos. "Estas empresas que dominam o mercado estão isenta de impostos. Este tipo de política de incentivo não dá para continuar", ressaltou. A agroecologia camponesa também foi a uma das propostas apontadas por Cléber para o enfrentamento ao uso dos agrotóxicos. O vice-presidente da Fiocruz, Valcler Rangel também concordou com os problemas causados pelo agronegócio - grande consumidor de agrotóxicos. "O agronegócio é um fracasso para a saúde pública", afirmou. "Precisamos defender a soberania alimentar. Não podemos em detrimento do lucro, não nos preocupar com a saúde da população", defendeu Cléber.
Leia mais em: http://www.contraosagrotoxicos.org/

Agronegócio, Agrotóxico e “agrocâncer” -
As consequências desse modelo, que se tornou hegemônico nos últimos dez anos, já apresentam resultados perversos para o meio ambiente, para a economia e para a saúde dos brasileiros

(Brasil de Fato, editorial da edição 482)

As três palavras acima não são mera propaganda. Nos últimos dez anos tomou conta da forma de produzir na agricultura brasileira, o chamado agronegócio. Ele é um modelo de produção de mercadorias agrícolas, subordinado agora aos interesses do capital financeiro e das grandes empresas transnacionais. Aliados aos fazendeiros brasileiros, que entram com a natureza.

Nesse modelo, o capital financeiro entra com o capital. Do valor bruto de produção agrícola ao redor de 160 bilhões de reais, os bancos entram com aproximadamente 110 bilhões todos os anos, financiando a compra dos insumos e cobrando os juros, sua parte na mais-valia agrícola. E as empresas transnacionais fornecem os insumos agrícolas, máquinas, fertilizantes químicos e, sobretudo, os venenos agrícolas. A produção agrícola depois se destina ao mercado mundial, as chamadas commodities agrícolas.

Esse modelo construiu então uma forma de produzir, uma matriz tecnológica que combina grande propriedade, que vai aumentando a escala de produção a cada ano, monocultivo, se especializando num só produto de exportação, mecanização intensiva, pouco emprego de mão-de-obra direta e uso intensivo de venenos agrícolas. As conseqüências desse modelo que se tornou hegemônico nos últimos dez anos, e que atua independente de tudo, já apresentam seus resultados perversos, para o meio ambiente, para a economia brasileira, para o rendimento econômico dos próprios fazendeiros e, sobretudo para a saúde dos brasileiros.

Em termos econômicos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab - 
http://www.conab.gov.br/), esse padrão de exploração econômica levou a uma matriz básica de custo de produção, em que os fazendeiros capitalistas brasileiros gastam em média, 24% com fertilizantes químicos, quase todos importados, 15% de todo capital investido em venenos, e mais 6% em sementes transgênicas. Pagam em média 2% de royalties para as empresas de sementes, totalizando 47% de todo seu custo. E gastam apenas 4% com mão-de-obra de trabalhadores rurais brasileiros e ficam, no final, com 13% de lucro. Ou seja, a conta é clara. Nossa agricultura está totalmente subordinada aos interesses do capital financeiro e estrangeiro e transfere a eles a maior parte do valor de produção.

Os resultados no meio ambiente são catastróficos. Hoje 80% de todas as terras cultivadas são utilizadas no monocultivo da soja/milho, cana de açúcar, algodão e na pecuária extensiva. Isso tem gerado um desequilíbrio da biodiversidade na natureza, que se agrava com aplicação dos venenos agrícolas, que matam tudo.

Com essa destruição da biodiversidade pelo monocultivo e pela aplicação dos venenos se gera um desequilíbrio também no regime das chuvas e nas condições climáticas de todo território brasileiro. Essa é a razão fundamental da ocorrência mais freqüente de secas mais duras e de enchentes mais torrenciais em todas as regiões do país.

Também se percebe as conseqüências na saúde humana e animal. O Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Consumimos sozinhos 20% de todos os venenos do mundo. As dez maiores empresas mundiais produtoras de venenos, que começaram na primeira e segunda guerra mundial produzindo bombas químicas, agora produzem venenos. São elas: Sygenta, Bayer, Basf, Dow, Monsanto, Dupont, Makhteshim (de Israel) Nufarm (Austrália) e Sumimoto e FMC (Japão). São todas empresas transnacionais que controlam os venenos no mundo e aqui no Brasil. Os fazendeiros gastaram 7,3 bilhões de dólares comprando venenos nessas empresas.

Os venenos, por serem de origem química, não se degradam na natureza. Eles matam os insetos, as bactérias no solo, afetam a fertilidade, contaminam as águas subterrâneas, contaminam as chuvas - muitos desses venenos secantes evaporam e ficam na atmosfera e depois retornam com as chuvas. E contaminam os alimentos que as pessoas consomem.

No organismo das pessoas estes venenos geram todo tipo de distúrbio, vão se acumulando, afetam órgãos específicos, até produzirem câncer com a destruição das células.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca)  (
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home)  tem denunciado e o Brasil de Fato repercutido que no país devem ocorrer ao redor de um milhão de novos casos de câncer por ano. A maior parte deles originários de alimentos com agrotóxicos. Destes, se diagnosticados com tempo, os médicos podem salvar 40%. Portanto, estamos diante da iminência de um verdadeiro genocídio provocado pelos agrotóxicos: o “agrocâncer”. Inclusive o câncer de mama, agora aparece entre mulheres de todas as idades e tem entre suas causas principais os agrotóxicos!

Isso e muito mais foi agora denunciado por um extenso e profundo relatório produzido pela Associação Brasileira de Pós Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco 
http://www.abrasco.org.br/ ). O documento alerta para os riscos e conseqüências que o uso generalizado de venenos agrícolas está provocando na saúde dos brasileiros. Leia o documento na íntegra:  http://www.abrasco.org.br/UserFiles/File/ABRASCODIVULGA/2012/DossieAGT.pdf 

O Brasil de Fato publica matérias sobre estas graves questões que a chamada grande imprensa, macomunada com os interesses do agronegócio e das empresas de venenos, silenciou.

Somamo-nos, assim, à Campanha Nacional Contra o uso de Agrotóxico e pela Vida que reúne mais de 50 entidades nacionais da sociedade brasileira, em sua missão permanente de conscientizar a população, os verdadeiros agricultores, as entidades e os parlamentares para que se ponha um fim ao uso de venenos em nosso país. E que, sobretudo, se penalize as empresas transnacionais fabricantes. Essas empresas deveriam, inclusive, serem obrigadas a pagar ao SUS o custo do tratamento do câncer e de outras enfermidades comprovadamente originarias do uso de venenos em nossa alimentação.



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Fontes: 

sábado, 2 de junho de 2012

DIETA ANCESTRAL OU ORIGINAL


Observação (minha): Os Vegetarianos, os mais radicais, não gostarão desta matéria... contudo, vamos aos Fatos! 
O PARADOXO DA DIETA DE NOSSOS ANCESTRAIS: RICA EM CARNE E SAUDÁVEL!


Muita carne, gordura boa e pouco carboidrato = Menor risco de doenças cardiovasculares

Diversos estudos demonstraram que as sociedades primitivas, cuja alimentação era obtida da caça e da coleta de frutos, estavam livres de doenças comumente observadas em sociedades modernas, como por exemplo a aterosclerose. Estes dados evidenciam a importância de entendermos como os caçadores/coletores (C/C) se alimentavam, afim de descobrirmos quais características de nossa dieta atual podem estar associadas ao padrão de doenças observado na sociedade ocidental.



 
Fonte da imagem: Google - Adaptada por biologiadasaúde
Estudos iniciais nesta área, baseados em dados etnográficos limitados, inferiram que os vegetais proveriam a maior parte das calorias na dieta das sociedades C/C.

Contudo, estudos recentes e mais amplos (229 sociedades de C/C) demonstram que os alimentos de origem animal na realidade representavam aproximadamente 65% do consumo energético destes indivíduos, enquanto os alimentos vegetais comporiam os 35% restantes. Outros estudos que analisaram tecidos de hominídeos paleolíticos (colágeno), redução no tamanho do estômago, atividade de certas enzimas e dados sobre procura de alimento (forrageamento ótimo) apontam para uma longa história de alimentação baseada em carne em nossa espécie.
Devido ao fato de que o aumento no consumo de carne costuma ser associado com aumento de risco de doença cardiovascular na sociedade ocidental, parece paradoxal o fato de que as sociedades C/C eram relativamente livres de sinais e sintomas de doenças cardiovasculares. Em adição, a carne contribui com o maior percentual de gordura (27%) entre todos os grupos alimentares, e ainda com o maior percentual de gordura saturada (28%). Deste modo, uma dieta rica em carne, independentemente de sua quantidade e tipo de gordura, é normalmente considerada “não saudável”.
 
Fonte da imagem: Clique aqui 
Dietas no período pré-agricultura -
As primeiras teorias a respeito da dieta dos hominídeos paleolíticos considerava estes indivíduos primariamente carnívoros, por serem caçadores natos. Contudo, entre as décadas de 60 e 70 esta imagem do “Homem Caçador” foi contestada. Neste período, pesquisas com sociedades de C/C contemporâneas apresentaram certas evidências de que sua alimentação seria primariamente baseada em vegetais oriundos da coleta.
Entre as sociedades C/C contemporâneas, os !Kung africanos receberam significativa atenção. Os pesquisadores mostraram que nesta população os alimentos vegetais compreendiam 67% da alimentação diária, e o alimento animal os 33% restantes. Em outro estudo, uma compilação de dados de 58 sociedades C/C (dados obtidos do Atlas Etnográfico ) indicou que a média e a moda obtidos para o consumo de alimentos originários da caça estava em torno de 35%. Este dado foi similar para sociedades C/C de todas as latitudes.
Estas informações foram erroneamente interpretadas durante os anos subsequentes, entendidas equivocadamente como uma demonstração de que os alimentos vegetais representavam a principal fonte de energia nestas populações. Mas esta análise estava comprometida, uma vez que os dados sobre alimentação com carne não haviam levado em consideração o consumo de peixes pescados, mas apenas de animais terrestres caçados, e também não verificaram a contribuição de cada grupo alimentar em termos de calorias fornecidas ao total da dieta.
 
Povo !Kung: Fonte da imagem AQUI.  Mais informações sobre o povo !kung AQUI

Os dados atuais confirmam que a maioria das sociedades C/C no mundo obtinha mais de 50% do total calórico de peixes e de animais caçados. Em análises amplas, com 229 sociedades C/C, a média do consumo animal é de 66-75%, e de vegetais é de 26-35%. Quando as populações C/C que vivem nas regiões polares, e portanto tem acesso limitado aos alimentos vegetais, são excluídas da análise, a contribuição das carnes fica em 59%, e dos vegetais em 41%.

Além disto, análises do esqueleto de Neandertais e de humanos do período paleolítico também suportam a hipótese de que o predomínio de carne na dieta humana não é um fenômeno limitado às sociedades C/C contemporâneas, mas antes tem uma longa história na linhagem humana.
É interessante notar que os hominídeos, assim como os felinos, apresentam ao longo do tempo uma redução no tamanho do estômago, paralelamente a um aumento no tamanho do cérebro e na atividade de determinadas enzimas, conforme estes incluem alimentos de maior densidade energética em sua dieta.
Adicionalmente a similaridade destes caracteres evolutivos, o padrão de procura por alimentos (forrageamento) dos humanos em sociedades C/C é também similar àquele observado para outros grupos animais. Este processo apresenta uma organização natural que potencializa a relação entre captura de energia e gasto energético da caça, pesca ou coleta. Na tebela abaixo é possível observar a taxa de energia ganha para diferentes alimentos comuns na dieta de C/C
 
                     Fonte da tabela: CORDAIN,. 2002 (Referência ao final do testo)

Fica claro que o alimento de origem animal fornece as maiores taxas de ganho energético. E os animais de grande porte são energeticamente mais vantajosos que os de pequeno. Isto porque, apesar de um veado (aproximadamente 44 kg) fornecer a mesma eficiência energética que 1600 camundongos (aproximadamente 28g cada), o gasto energético para a captura de um único veado é bem inferior àquele necessário para a captura de 1600 camundongos. Deste modo a captura de animais de grande porte melhora a relação Captura de energia/ Gasto energético para a captura.
O maior conteúdo de gordura dos animais de grande porte é outro aspecto importante. Caso estes humanos estivessem limitados a uma dieta majoritariamente constituída de animais com pouca massa de gordura, a quantidade de proteína necessária para cobrir as necessidades energéticas seria demasiadamente excessiva. Isto acarretaria distúrbios no metabolismo hepático e renal.

A dieta dos caçadores coletores e a doença cardiovascular -
O consumo total de gordura das sociedades C/C (33 a 43% do consumo calórico) excedia os valores atualmente recomendado para a saúde (≤30%).
Contudo, hoje existem evidências suficientes para afirmarmos que o conteúdo total de gordura da dieta é menos importante para as alterações dos lipídeos do sangue (LDL, VLDL, HDL), e para o risco de doença cardiovascular, que as variações nas quantidades de diferentes ácidos graxos (os componentes básicos da gordura). Por exemplo, a relação entre ácidos graxos poliinsaturados ômega 3/ômega 6, ou entre o conteúdo de ácidos graxos monoinsaturados e o conteúdo total de gordura, bem como a presença de ácidos graxos saturados ou ácidos graxos trans, são importantes análises para avaliar os efeitos da gordura da dieta sobre a saúde.
 
                                                        Fonte da imagem: Clique aqui 
Os C/C apresentam ainda um consumo de proteínas significativamente acima das médias das sociedades ocidentais (19-35% x 15%). Apesar de o consumo exacerbado de proteínas ser fator associado ao desenvolvimento de hipercalciúria e elevação da velocidade de progressão de disfunção renal, existem evidências importantes de que dietas com maior teor protéico podem melhorar o perfil de lipídeos do sangue e, consequentemente, reduzir o risco de doença cardiovascular.
Adicionalmente, os humanos do período pré agricultura apresentavam maior densidade óssea e maior resistência a fraturas nos ossos quando comparados aos humanos modernos. Estes dados indicam que o efeito de desmineralização óssea atribuído a dietas com alto teor de proteínas não se manifesta nestes indivíduos. É possível que estas características ósseas sejam associadas a maiores níveis de atividade física, o que aumenta a sobrecarga óssea. Outro mecanismo potencial seria a elevada ingestão de frutas e vegetais, os quais teriam efeito de tamponamento da acidez causada pelas proteínas da dieta. De fato, diversos trabalhos demonstram que a ingestão de um agente alcalinizante previne a calciúria que comumente acompanha dietas hiperprotéicas.
 
Por outro lado os carboidratos representavam algo em torno de 22 a 40% das calorias na dieta dos C/C, valores consideravelmente inferiores àqueles observados nas sociedades ocidentais (49%), e também àqueles recomendados por órgãos governamentais e de pesquisa (55-60%). Os carboidratos da dieta apresentam um importante papel nos distúrbios do perfil lipídico, com notável importância para os chamados carboidratos simples. De fato, os C/C não apenas ingeriam menor quantidade de carboidratos, como ingeriam tipos bem diferentes daqueles típicos de nossa sociedade. Os carboidratos na sociedade ocidental são caracterizados por elevados índices glicêmicos, enquanto aqueles consumidos pelos C/C apresentariam elevado teor de fibras, sendo lentamente digeridos, e afetando de maneira mais equilibrada a resposta glicêmica e insulinêmica.
Adicionalmente, é provável que a dieta das sociedades de C/C fornecesse significativas quantidades de antioxidantes e outros compostos benéficos. Os C/C raramente (se é que o faziam) acrescentavam sal a seus alimentos, e o estudo de sociedades C/C contemporâneas também demonstrou maiores concentrações plasmáticas de folato e vitamina B12 . Estes fatores, associados aos maiores níveis de atividade física típicos destes indivíduos, fornecem significativa proteção contra o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
 
                           Comparação dos tipos de carboidratos da dieta paleolítica e da atual.
                                                              Fonte da imagem: Clique AQUI 
Em resumo - 
O consumo elevado de carne na dieta das sociedades de caçadores coletores não desencadeava distúrbios no perfil lipídico devido aos efeitos hipolipidêmicos associados ao maior conteúdo de proteínas (19-35%) e a ingestão relativamente baixa de carboidratos (22-40%). Apesar de a ingestão de gordura (28-58%) ser similar, ou até maior que àquela encontrada nas sociedades ocidentais, é provável que existam diferenças qualitativas importantes nos lipídeos ingeridos pelos C/C como, por exemplo, maior ingestão de ácidos graxos mono e poli-insaturados, e menor ingestão de saturados. Outras características da dieta, incluindo ingestão elevada de antioxidantes, fibras, vitaminas e baixa ingestão de sal contribuíram de maneira sinérgica a outros fatores ambientais como exercício, menos estresse e ausência de tabagismo.

Não se esqueça, tenha uma alimentação saudável e pratique atividade física.
 
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Referências:
L Cordain, SB Eaton, J Brand Miller, N Mann, K Hill. The paradoxical nature of hunter-gatherer diets: meat-based, yet non-atherogenic. European Journal of Clinical Nutrition (2002) 56, Suppl 1, S42–S52.
SB Eaton, SB Eaton, MJ Konner. Paleolithic nutrition revisited: A twelve-year retrospective on its nature and implications European Journal of Clinical Nutrition (1997) 51, 207-216
Nadiah Moussavi, Victor Gavino, Olivier Receveur. Could the Quality of Dietary Fat, and Not Just Its Quantity, Be Related to Risk of Obesity? Obesity (2008) 16, 7–15. 2007

segunda-feira, 12 de março de 2012

VOCÊ SABE LER O RÓTULO DOS ALIMENTOS?



 Você costuma ler o rótulo dos alimentos que leva para casa? Pesquisa recente do Ministério da Saúde identificou que 70% das pessoas verificam os rótulos dos alimentos durante as compras, mas metade não compreende adequadamente os significados das informações. Educação financeira também passa por consumir de forma mais inteligente, levando em consideração qualidade de vida e hábitos saudáveis.
Além disso, levantamento do IBGE identificou que a participação dos alimentos industrializados da dieta do brasileiro aumentou 82% entre 1974 e 2003, o que indica uma forte mudança no comportamento alimentar da população. O consumo inadequado de alimentos traz despesas e problemas para toda a família, o que influencia no cotidiano financeiro.
Assim, com a participação significativa de itens processados em nossa dieta e sabendo da importância do consumo consciente para uma vida mais rica e tranquila, saber ler as informações dos rótulos é mais do que uma opção: é uma rotina saudável.
Os consumidores querem saber o que comem! E estão cada vez mais atentos à informação que vem nos rótulos. Um estudo publicado em 2005 pela European Food Information Council (EUFIC Fórum) e que reflete a atitude dos consumidores face à rotulagem e informação nutricional, revela que os consumidores têm muitas dúvidas e querem ser melhor esclarecidos. De uma forma geral, reconhecem a importância da informação nutricional da rotulagem, mas admitem que tem dificuldade em interpretá-la. No fundo, o que lhes prende a atenção são as calorias e a gorduras. Porém, depois têm dificuldade em transpor a referência das 100 g /100ml para o que ingerem diariamente.
A rotulagem é sem dúvida uma importante base de informação nutricional. Porém, os resultados do estudo da EUFIC Fórum, que inquiriu consumidores de Lion (França), Hamburgo (Alemanha), Milão (Itália) e Londres (UK), revelam o que falha na rotulagem dos produtos:
 Os consumidores precisam de informação nutricional fácil de interpretar. Em vez de excessivos, os dados devem ser hierarquizados de forma a perceber-se o que é importante. Importa ainda ter referências claras que ajudem a avaliar se a ingestão de um determinado produto respeita o Valor Diário de Referência;
 Os consumidores querem ter a informação simplificada (símbolos, códigos). Percebem que nem tudo pode constar dos rótulos. Contudo, avaliam que a rotulagem deve ser mais atractiva à leitura e fácil de interpretar, já que é uma ferramenta que ajuda a fazer as escolhas mais saudáveis;
 Os consumidores querem que os rótulos sejam mais claros e fáceis de ler, mais consistentes e uniformizados, dentro da mesma categoria de produtos;
 A imagem das embalagens deve ser simples, atractiva e bem estruturada. Todas as informações disponibilizadas devem ser claras;
 As etiquetas devem ter um espaço destinado às entidades que certificam o produto, de preferência uma entidade europeia.
Em suma, no estudo da EUFIC Fórum os consumidores declaram que querem que as escolhas saudáveis façam parte das suas vidas diárias. Por isso, é importante que a informação disponibilizada seja acessível e clara.

Rotulagem nutricional - O que significa ?
A maior parte dos produtos alimentares disponibilizam informação nutricional nas suas embalagens que informam os consumidores sobre a contribuição dos nutrientes ingeridos. As necessidades energéticas variam de acordo com a idade, o peso, a altura, a actividade física e o sexo da pessoa. Uma alimentação equilibrada é aquela em que a energia consumida (calorias) tem origem entre 50-55% em hidratos de carbono, entre 30-35% em gorduras; e entre 10-15% em proteínas.
A tarefa diária de fazer a escolha mais saudável e equilibrada não é fácil. Por isso existem Valores Diários de Referência relacionados com a ingestão energética, definidos de acordo com a idade e o sexo, e estabelecidos da seguinte forma (tomando por base os indivíduos com peso e médio):
 Uma criança deve ingerir aproximadamente entre 1.200 a 2.000 kcal por dia;
 Um adolescente, entre 2.200 a 3.000 kcal
 Uma mulher adulta, entre 1.800 e 2.200 kcal
 Um homem adulto, entre 2.200 a 2.700 kcal
A informação nutricional não é mais do que a composição nutricional do alimento, ou seja, a sua composição média em termos de nutrientes e valor energético.
A actual legislação permite a apresentação da informação nutricional sob duas formas:
- Simples, que menciona apenas o valor energético do alimento e o seu conteúdo em proteínas, hidratos de carbono (também conhecidos por glícidos) e lípidos (também conhecido por gorduras);
- Mais completa que, para além dos dados anteriores, apresenta o teor em açúcares, ácidos gordos saturados (lípidos saturados), fibras alimentares e sódio;
Na informação nutricional ainda pode ser incluída - caso existam nesse alimento - as quantidades de amido, polióis, ácidos gordos monoinsaturados, ácidos gordos polinsaturados, colesterol, vitaminas e sais minerais.
Toda a informação nutricional deve ser expressa por 100gr ou por 100 ml do alimento , podendo ainda ser mencionada por dose, quantificada no rótulo, ou por porção.
Informação nutricional por 100g
Valor energético…………...KJ / Kcal
Proteínas…………………………...gr
Hidratos de Carbono...gr
            Lípidos………………………………...gr
Conheça os principais pontos a serem avaliados nos rótulos:
Lista de Ingredientes -
A relação de ingredientes de um produto segue a ordem decrescente, isto é, o primeiro ingrediente da lista está em maior quantidade no produto e o último, em menor quantidade. Verificar os ingredientes que compõem um produto é importante para identificar o que estamos consumindo.

Origem -
A origem do produto indica quem é o fabricante e onde o produto foi fabricado. Essas são informações importantes não só para conhecer a procedência de um item, como também para avaliar rapidamente a distância que um produto percorreu até à prateleira do mercado. Quanto maior a distância, maior os custos ambientais com o transporte do produto.

Prazo de Validade -
Produtos com validade inferir a três meses devem informar, pelo menos, dia e mês de vencimento. Produtos com validade acima de três meses devem informar o mês e o ano. Atenção também para o estado das embalagens. Se apresentarem danos aparentes, como amassados, inchaço ou ferrugem, não adquira.

Para produtos congelados, observe se as embalagens estão úmidas ou com cristais de gelo no interior. Isso pode indicar que a refrigeração do estabelecimento não foi constante e que os produtos sofreram descongelamento.
Conteúdo Líquido -
Deve indicar a quantidade total do produto contido na embalagem, podendo ser expresso em unidade de massa (quilo) ou volume (litro).

Lote -
É uma referência importante, pois permite a rastreabilidade do processo produtivo. Se o produto apresentar algum problema, esse controle da produção permite analisar se a ocorrência foi pontual ou abrangeu todo o lote.

Informação Nutricional Obrigatória -
Trata-se daquela tabela que apresenta as informações nutricionais do produto. Veja um exemplo:

Exemplo de tabela - Informações Nutricionais
A leitura atenta desse item é importante para fazermos escolhas mais saudáveis. Na tabela deverão estar indicados:
  • Porção: quantidade média do alimento a ser consumido por uma pessoa sadia, de forma a manter uma alimentação saudável.
  • Valores de referência: Cada nutriente apresenta um valor diferente para se calcular o %VD. Veja os valores diários de referência atualmente utilizados:
    • Valor energético: 2000kcal / 8.400kJ;
    • Carboidratos: 300g;
    • Proteínas: 75g;
    • Gorduras Totais: 55g;
    • Gorduras Saturadas: 22g;
    • Fibra Alimentar: 25g;
    • Sódio: 2400mg;
    • Não há valor diário para as gorduras trans.
  • Percentual de Valores Diários (%VD): percentual que indica a energia e os nutrientes que aquela porção representa segundo uma dieta de 2000 calorias.
  • Medida Caseira: indica a porção de um alimento segundo uma medida usada pelo consumidor, tais como: fatias, unidades, pote, xícaras, copos, colheres de sopa. Informar a medida caseira é obrigatório.
O que significam os componentes da tabela nutricional?
Entenda o que significa cada componente da tabela:
Valor Energético - 

Corresponde à quantidade de energia produzida pelo nosso corpo a partir do consumo de carboidratos, proteínas, gorduras e álcool. É expresso em forma de quilocalorias (kcal) e quilojoules (kj), sendo 1 kcal equivalente a 4,2 kj. 

Carboidratos - 
São os componentes dos alimentos que fornecem energia para nossas células, principalmente para as células cerebrais, encontradas em massas, arroz, açúcar, mel, pães, farinhas, entre outros.

Proteínas - 
São substâncias que fazem parte da constituição dos alimentos, responsáveis pelo crescimento, manutenção e reparação dos órgãos, tecidos e células. Encontram-se em alimentos de origem animal e vegetal, sobretudo o leite, iogurte, queijo, ovos, carne, aves, pescado e leguminosas secas (feijão, grão-de-bico…); 
1 grama de proteínas fornece 4 Kcal (-/+16 KJ).

Hidratos de Carbono ou Glícidos (Açúcares) -

Estes componentes são a principal fonte de energia para a nossa atividade física e para as funções do nosso organismo. Encontramo-las nos cereais e derivados (arroz, farinhas, massas, flocos, pão), leguminosas secas (feijão, grão de bico…), tubérculos (batata, batata doce, mandioca, inhame…), frutos, açúcar de mesa e mel. 1 grama de h. carbono fornece 4 kcal (-/+16 KJ).
Podem assumir diferentes formas. O açúcar propriamente dito (sacarose), açúcares do mel (açúcares invertidos) e açúcar dos frutos (frutose), por exemplo. Aparecem nos mais diversos produtos alimentares, aos quais são adicionados como ingredientes.

Alerta: O seu consumo excessivo contribui para a cárie dentária, aumento de peso corporal e diminuição da ingestão de outros produtos alimentares mais nutritivos.

Polióis -

Presentes de forma natural em alguns alimentos, podem também ser produzidos industrialmente e utilizados pela indústria agro-alimentar para obter produtos com baixo valor energético. Exemplos, sorbitol, manitol, xilitol…

Alerta: O seu consumo excessivo pode ter efeito laxante.

Amido -

É um hidrato de carbono complexo presente em grande percentagem nos cereais e derivados (arroz, farinhas, massas e flocos), nas leguminosas secas (feijão, grão-de-bico, favas…) e nos tubérculos (batata…).

Alerta: Uma alimentação equilibrada deve ser rica em amido.

Sódio -

Existe no sal de cozinha e de mesa, águas engarrafadas e refeições pré-cozinhadas. Recentemente, Especialistas da Universidade de Harvard declaram guerra ao sal de cozinha. Segundo eles, o sódio é o maior culpado pela epidemia de hipertensão nos EUA e que a doença deve afetar nove entre dez americanos. 

Atenção: o seu consumo excessivo pode levar ao desenvolvimento de hipertensão (tensão arterial elevada).

Lípidos ou gorduras (Gorduras Totais) - 

São grandes fornecedores de energia uma vez que 1 grama de lípidos fornece 9 Kcal (-/+ 37 Kj). São, no entanto fundamentais para o nosso organismo, porque são os "transportadores" das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e entram na constituição de diversas estruturas celulares. Existem em alimentos de origem animal e vegetal, exemplo da manteiga, banha, toucinho, natas, gema de ovo, gorduras de constituição das carnes, aves e pescado, azeite, óleos, margarinas, creme vegetais para barrar, frutos secos e alguns frutos tropicais (pêra abacate, coco).
De acordo com a sua estrutura química, as gorduras dividem-se em:
Gorduras saturadas, fazem parte da gordura de constituição das carnes, peles de aves, produtos de charcutaria e óleos parcialmente hidrogenados, que constam da lista de ingredientes de muitos produtos alimentares processados (produtos de confeitaria, pastelaria), no leite gordo e seus derivados (nata, manteiga).
Alerta: O seu consumo não deverá exceder os 10% do valor energético total, uma vez que este tipo de gordura está associado ao aumento do risco de doença cardiovascular, aumento do colesterol sanguíneo, principalmente do LDL "mau colesterol" e de alguns tipos de cancro.
Gorduras monoinsaturadas, o azeite é sem dúvida o melhor exemplo. Mas também podemos encontrar estas gorduras em alimentos como os cremes vegetais para barrar, óleo de amendoim e frutos secos (nozes, amendoim).
Alerta: Bem toleradas pelo organismo, estas gorduras raramente originam lesões celulares pois não promovem a formação de radicais livres.
Gorduras polinsaturadas, dada a dificuldade que tem em sintetizá-las a partir de outras substâncias, o nosso organismo tem que obter estas gorduras (ómega 6 e o ómega 3), através da alimentação.
Alerta: Fundamentais na resposta à infecção e na protecção contra as doenças cardiovasculares, podem encontrar-se estas gorduras nos cremes vegetais para barrar, nos óleos vegetais, peixes como o salmão ou a sardinha, legumes de cor verde escura.
Gorduras Trans ou Ácidos Graxos Trans -
É a gordura presente em alimentos industrializados que utilizam gorduras vegetais hidrogenadas na sua preparação, tais como biscoitos, sorvetes, salgadinhos, entre outros. 
Alerta: O consumo desse tipo de gordura deve ser mínimo pois, em grande quantidade, pode aumentar muito o risco do desenvolvimento de doenças do coração.

Colesterol -
Normalmente ouvimos falar do colesterol como uma substância que existe em excesso no organismo. O que poucas pessoas sabem é que alguns alimentos fornecem colesterol. Podemos encontrá-lo no fígado e outras vísceras de animais, produtos de charcutaria, gema de ovo, bacalhau, ovas de peixe, polvo, lulas, camarão e produtos lácteos gordos.

Alerta: O colesterol sanguíneo elevado é factor de risco para o surgimento de doença cardiovascular.
Fibras alimentares -
Apenas é possível encontrá-las em alimentos de origem vegetal - cereais e seus derivados "pouco refinados", ou seja, os mais escuros que contêm a camada externa dos grãos de cereais que lhe dão origem. Podemos encontrá-las também nas leguminosas secas, frutos e produtos hortícolas (hortaliças e legumes).

Alerta: Ingeri-las diminui o risco de obstipação, obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e diferentes tipos de cancro.

Como usar essas informações: 

Algumas sugestões se aplicam a quase todos os tipos de hábitos alimentares:

  • Leia o rótulo de vários produtos e faça comparações – observe a lista de ingredientes;
  • Prefira produtos cujos primeiros ingredientes da lista (aqueles em maior quantidade) não sejam itens como gorduras, óleos, sal, açúcar, sacarose, mel, melaço ou ainda outras formas de açúcar (por exemplo: maltose, lactose, glucose, frutose, dextrose, xarope de açúcar invertido);
  • Prefira alimentos com baixo %VD de gorduras saturadas, gorduras trans e sódio;
  • Opte por aqueles que apresentarem alto %VD de fibras alimentares.
A dieta que adotamos precisa se adequar a hábitos e necessidades nutricionais, variando de acordo com o momento que estamos vivendo. Dessa forma, tão importante quanto identificar nossas necessidades nutricionais ou da nossa família é saber como escolher os alimentos mais adequados para cada um de nós.
Assim, para ter uma boa saúde nos dia de hoje, precisamos de uma alimentação equilibrada, hábitos saudáveis e, é claro, muita informação. Também não se esqueça dos exercícios físicos. Procure sempre profissionais qualificados para instruções neste sentido!
Recomendações para uma escolha saudável

- Ler atentamente os rótulos -

 Prefira produtos alimentares com baixo teor de lípidos (sobretudo saturados) e colesterol;
 Não se esqueça que na lista de ingredientes estes são mencionados seguindo a ordem decrescente do peso que tem no produto;
 Verifique a quantidade de sódio. O melhor é diminuir a ingestão de produtos ricos em sódio e a quantidade de sal que utiliza nos cozinhados;
 Verifique a quantidade de fibras alimentares. Optar por produtos alimentares cujo conteúdo seja equilibrado em fibras;
 Verifique a quantidade de hidratos de carbono. Prefira produtos alimentares ricos em amido e pobres em açúcar;
 Verifique os prazos de validade e o estado das embalagens:
 Não adquira embalagens danificadas (amolgadas, inchadas ou com sinais de ferrugem);
 Rejeite produtos congelados e/ou ultracongelados que apresentem cristais de gelo no interior da embalagem ou se esta se encontrar húmida. Isto poderá significar que os produtos sofreram descongelação ou que a rede de frio não foi mantida constante.

Helena Cid - Nutricionista e Presidente do Instituto Becel